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Política

Um suplente enrolado
Valmir Amaral, que pode assumir a vaga do senador Luiz Estevão, é investigado por supostas irregularidades

Cláudia Carneiro

Zuleika de Souza/CBPRESS
Valmir Amaral, durante campanha de Luiz Estevão, em 1998: hoje em dia, os dois estão afastados

Antes de ser acusado de envolvimento no desvio de R$ 169 milhões destinados à construção do prédio do Fórum Trabalhista de São Paulo, o senador Luiz Estevão (PMDB-DF) já era conhecido pelo patrimônio milionário das empresas do Grupo OK e tinha alguns negócios questionados na Justiça. Seu suplente, o empresário Valmir Antônio do Amaral, 38 anos, não fica atrás. Ele também é alvo de uma série de acusações de negócios considerados irregulares e fraudulentos. No Tribunal de Justiça de Brasília, são 65 processos de natureza cível, trabalhista e da fazenda pública. Outros dois processos, de cobranças de taxas movidas pelo INSS, tramitam no Tribunal Regional Federal. Se o titular perder o mandato por falta de decoro parlamentar, na votação prevista para a quarta-feira 28 no plenário do Senado, os senadores correm o risco de manter seu desconforto diante do novo colega.

“Doa a quem doer, o Ministério Público vai investigar a fundo as ações do senhor Valmir Amaral, que comprometem até a lisura de autoridades do governo do Distrito Federal”, diz o procurador do Ministério Público Federal, Luiz Francisco de Souza. Freqüentador da Casa da Dinda nos tempos do governo Collor, Valmir Amaral tem hoje no governador Joaquim Roriz seu correligionário e amigo mais poderoso. Roriz teve o apoio maciço, inclusive financeiro, do empresário em sua campanha ao governo do Distrito Federal. O deputado distrital Paulo Tadeu (PT-DF) move ação contra autoridades do governo por “presentearem” o empresário com 88% de 218 novas linhas de ônibus abertas em Brasília, sem licitação. O deputado federal Pedro Celso (PT-DF) também recorreu ao Ministério Público Federal e à Justiça Federal para investigar dois empréstimos de financiamento de ônibus para as empresas de Amaral.

Esses contratos são considerados nebulosos por Pedro Celso. “Primeiro porque não têm garantia real de que será pago. Segundo porque os avalistas são os próprios sócios de Valmir Amaral”, diz o deputado. Os empréstimos somam R$ 9,98 milhões e foram assinados com o Banco Regional de Brasília (BRB), que opera a linha de crédito do BNDES, de onde saiu o dinheiro. O mesmo BRB está sendo investigado por renegociar uma dívida do suplente em abril de 1999, reduzindo seu valor de R$ 6 milhões para R$ 1,3 milhão. “Se Luiz Estevão for mesmo cassado e Valmir Amaral substituí-lo, vamos questionar também sua permanência no mandato, visto que ele responde a inúmeros processos e inquéritos”, assegura Pedro Celso. Através de sua assessoria, Valmir declarou que as operações de suas empresas, inclusive a renegociação com o BRB, são absolutamente normais. O empresário diz estar sendo vítima de perseguição política.

O suplente à vaga de Estevão é proprietário do Grupo Amaral. Seus sócios são o pai, Dalmo Josué do Amaral, a mãe Ana Amância e o tio Dorival. O pai construiu fortuna a partir da empresa Santo Antônio de Transportes e Turismo. Dessa, nasceram outras três no mesmo ramo, além de uma concessionária Fiat (ESAVE), uma concessionária de motos Kawasaki e uma empresa de taxi aéreo (ESAT), que possui uma frota de sete aeronaves. É Valmir Amaral, porém, que responde por esse pequeno conglomerado, avaliado em R$ 20 milhões.

TIA INIMIGA Valmir Amaral cultivou inimigos dentro de sua própria família. Sua tia Dalva Rosa do Amaral, 63, o acusa de ter invadido as linhas de ônibus de sua pequena empresa de transporte coletivo em Planaltina de Goiás. Mas nem mesmo com a decisão judicial que obteve em seu favor, ela conseguiu retirar os ônibus de Valmir de sua área de atuação. “Meus filhos são contra essa briga, mas eu não vou calar a boca sobre alguém que pode ir para o Congresso representar Brasília”, protesta Dalva. Procurado em cinco ocasiões por Gente, o empresário não fala sobre as denúncias da tia.

De origem simples e família muito religiosa, há cerca de cinco anos Valmir abandonou a vida modesta na cidade-satélite de Sobradinho, para construir uma mansão no Lago Sul, a área mais nobre de Brasília. Rapidamente tornou-se um morador polêmico. Ele teria invadido 18 mil metros quadrados da área pública ao redor do seu lote. Além disso, os vizinhos reclamam do barulho do seu meio de transporte cotidiano: um helicóptero. Valmir disse a amigos que, se vier a assumir o mandato de senador, quer dar prioridade à área social. “Vamos dar um destino decente a essas crianças que ficam andando perdidas pelas ruas.”

As festas oferecidas por ele e as idéias extravagantes, como a de decorar a sala de sua mansão com um carro Mercedes, aumentaram a fama do emergente mais poderoso da Capital. Em uma das garagens de suas empresas de ônibus, Valmir guarda sua coleção de carros antigos. O empresário já presenteou os amigos com uma megafesta embalada por cantores como Moacir Franco e Sérgio Reis. O cantor Leonardo é outro astro popular que faz parte da roda de amigos, na qual o senador Luiz Estevão não é mais bem-vindo.

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