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Polícia

Crime no refúgio dos tucanos
Alexandre da Silva, caseiro do sítio do ministro da Saúde, José Serra, mata a pauladas Eliane Aguiar, a faxineira da casa da atriz Marisa Orth, em Ibiúna, cidade paulista onde o presidente FHC tem casa

Cesar Guerrero, de Ibiúna (SP)

REPRODUÇÃO
Eliane trabalhava há seis meses na casa de Marisa Orth no Sítio do Angico. No final do ano passado, ela concluiu a oitava série. O irmão Edilson a acompanhava todas as noites até a escola no centro de Ibiúna
Marisa Orth e José Serra são coadjuvantes de uma mesma história trágica há três semanas. Alexandre Carneiro da Silva, um jovem de 20 anos, caseiro do sítio do ministro da Saúde em Ibiúna, interior de São Paulo, matou a pauladas a faxineira Eliane dos Santos Aguiar, que trabalhava para a atriz global. “Lamento a tragédia”, diz o ministro José Serra. “Não falo sobre o assunto”, afirma Marisa Orth.

A 70 quilômetros da metrópole, Ibiúna é uma cidade bucólica de 80 mil habitantes. A região saiu do anonimato ao virar refúgio do tucanato. Lá o presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, tem o seu recanto para andar de chinelos, assim como o ministro da Justiça, José Gregori, e o secretário de Ciência e Tecnologia do governo paulista, José Anibal. A arena não se limita à verve política. O apresentador Sérgio Groisman e o jornalista Boris Casoy também têm propriedade no local.

A dez quilômetros do centro de Ibiúna, há o condomínio “Sítio do Angico”. No local existem cinco casas, entre elas as de Serra e de Marisa Orth. Para garantir a conservação, trabalham lá três caseiros: Djaci Carneiro da Silva, sua mulher Mariana e o filho Alexandre. “A gente cria um filho e não sabe o que se passa na cabeça dele”, diz Mariana. “Eu nunca pensei que Alexandre fosse capaz de cometer uma violência como essa.”

A surpresa da mãe faz sentido. Aparentemente tranqüilo, Alexandre até então nunca teve qualquer problema com a polícia. Eliane, também. Os dois se conheciam do vai-e-vem dos respectivos serviços. Mas no sábado 27 de maio, Eliane, 20 anos, foi para a casa de Marisa Orth cumprir sua obrigação. Todos os sábados, ela fazia a faxina no sítio. Quando a atriz estava lá, fazia questão de levá-la em casa no fim do dia.

Relações Sexuais Naquele sábado, não havia ninguém na residência e Eliane terminou o serviço mais cedo. Voltava a pé para casa, a três quilômetros de distância, quando foi abordada por Alexandre no meio do caminho. Primeiro, ele tentou seduzi-la a ter relações sexuais. Mas Eliane recusou-se. O bate-boca terminou quando Alexandre amarrou Eliane e com um tronco de árvore nas mãos a espancou até a morte. “Eu a matei porque ela ia contar para minha família que eu fumo maconha”, disse Alexandre em seu depoimento à polícia. Alexandre declarou que ele e Eliane haviam se beijado tempos antes, mas a família dela nega a versão. “Minha filha tinha namorado e nunca teve qualquer envolvimento com Alexandre”, diz Francisca de Souza, mãe de Eliane.

Eliane morreu de traumatismo craniano. Três dias após a morte, seu corpo foi encontrado na beira da estrada de terra que liga o sítio à cidade. A polícia local estava em seu encalço desde a noite de domingo, quando a família, desesperada, deu queixa do desaparecimento. “O Alexandre ofereceu ajuda nas buscas”, lembra Edilson dos Santos Aguiar, 21 anos, único irmão de Eliane.

Acima de qualquer suspeita, Alexandre foi ao velório prestar solidariedade à família. Todas as despesas foram pagas pelo empresário Teófilo de Andrade Orth, pai de Marisa. “Ele estava nervoso, mas não desconfiamos de nada”, diz Edilson. Mas o pai de Alexandre desconfiou. O rapaz lhe havia pedido dinheiro para fugir da cidade, sem motivo aparente. O pai levou sua desconfiança à polícia local, que saiu à caça de provas. Encontraram, então, próximo à casa da família de Alexandre, cordas e a calcinha de Eliane.

Com provas e o depoimento do pai, a polícia prendeu Alexandre por homicídio. Na delegacia, ele confessou detalhes do assassinato. A pacata cidade de Ibiúna virou um barril de pólvora. A população tentou invadir a delegacia e matar o rapaz. A polícia teve de levá-lo para uma cadeia pública de uma cidade vizinha, sem revelar o local exato. “Tivemos que transportá-lo em um carro particular para despistar”, conta o delegado. Ibiúna saiu das colunas sociais e de política para engordar as estatísticas policiais.

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