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O forró mostra a nova cara

Mesmo arejando tantas gerações da música brasileira, o forró nunca chegou a repetir o fenômeno comercial de Gonzagão. Mas, em pleno ano 2000, dá indícios de que pode voltar ao topo do mercado fonográfico. Em contraponto ao gênero eletrônico de Frank Aguiar, bandas novas investem no forró pé de serra – tocado basicamente com sanfona, zabumba e triângulo. Diferentemente da música sertaneja, formada por duplas, o forró tradicional é formado quase sempre por trios.

Criado há menos de dois anos, o grupo Fala Mansa já vendeu 50 mil cópias com seu disco de estréia Deixa Entrar... (recorde de vendas na carreira de Dominguinhos, um dos porta-vozes do forró de raiz), lançado há três meses. A banda Rastapé acaba de lançar O Som do Forró, disco com repertório composto por clássicos, e já dividiu o palco com artistas como Alceu Valença e Gilberto Gil. As duas bandas trazem integrantes jovens, que freqüentavam casas de forró paulistanas na década de 90. “Se a gente não estivesse no palco, estaria no público”, diz Tato, 22 anos, cantor do Fala Mansa. “O ritmo a gente pegou dançando, depois aprendemos a tocar os instrumentos”, emenda Marco Antônio Morato, 27 anos, que canta e toca zabumba no Rastapé.

A boa recepção do público adolescente do sudeste do País para o forró pé de serra, abriu caminho para a popularização dos trios nordestinos – todos com mais de dez anos de carreira. Há pelo menos três deles que estão criando fama.

São os trios Sabiá, Forrozão e Virgulino. “Até o final de 1995 era um sufoco para sobreviver”, conta Joca Oliveira, 42 anos, que canta e toca triângulo no Sabiá. “Hoje temos 15 shows por mês, cobrando R$ 4.000 cada”, completa. Embora todos os integrantes sejam nordestinos, os trios só foram formados quando eles migraram para cidades do Sudeste. O Forrozão tem dois CDs lançados pela gravadora Natasha, ambos com mais de 100 mil cópias vendidas, e em julho lança o terceiro, Trio Forrozão na Batida da Zabumba. O primeiro foi lançado em 1998, depois de dez anos de apresentações pelo Rio de Janeiro. “Antes disso, trabalhávamos em outras atividades para conseguir pagar as contas”, conta Bastos Brilhante, 41 anos, cantor do Forrozão. O Trio Virgulino também enfrentou dificuldades parecidas no começo da década de 80. “A gente viajava pelo interior de São Paulo, pagando as passagens de ônibus”, conta o sanfoneiro Enoque Virgulino, de 42 anos. “Como os shows acabavam de madrugada, tínhamos que esperar amanhecer para voltar para casa.”

O sucesso dos trios tradicionais e dos novos quartetos e quintetos de forró parece estar selado, depois que o Sudeste se rendeu ao gênero, um dos mais populares e tradicionais do Brasil. Quem sai ganhando é o público e aqueles que apostaram no ritmo desde o início, como Magno de Souza, 33 anos, e Paulinho Rosa, 32. Desde 1991, eles promovem apresentações do Trio Sabiá – formado por um baiano, um pernambucano e um sergipano, que se conheceram em São Paulo – desde 1991. “A popularização do forró se deve ao fato de não haver no mundo lugar mais fácil de se conhecer gente nova”, argumenta Paulinho. “Diferente do rock ou tecno, forró se dança de rosto colado. Antes de conhecer a pessoa, você já está dançando abraçado com ela.” De São Paulo, a tendência contaminou Estados vizinhos, como Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo e agora também sacoleja casais no Paraná e em Santa Catarina.

Arrasta pé com Gil
Trio de quatro músicos
Sua majestade, o Sabiá
Julio Vilela
Kiko Cabral
Silvia Santana
Forró de raiz é a levada do Rastapé: Chiquinho, Jorge Filho, Longuinho, Marcos e Jair (em sentido horário)
Forrozão formado no Rio: Chiquinho, Edinho, Bastos e Nicodemus (da esq. para a dir.)
Trio Sabiá lança quarto CD: Zito, Joca e Aloysio (da esq. para a dir.)
No começo de 1999, os amigos Marcos Antônio Morato, 27 anos, e Jair dos Santos, 23, compraram sanfona e zabumba para tocar forró. Jair abandonou o emprego na bolsa de valores e Antônio largou a banda de pagode para se unirem ao sanfoneiro paraibano Jorge Longuinho, 50 anos, e seus filhos Chiquinho, 20, e Jorge Filho, 24. Na Paraiba, o trio fazia cover da Legião Urbana. O grupo Rastapé comemorou um ano de carreira no domingo 11, em São Paulo, fechando o show em que Gilberto Gil cantou clássicos de Luiz Gonzaga. O cantor paraibano Bastos Brilhante, 41 anos, mora no Rio de Janeiro desde os doze. Depois de trabalhar como taxista, camelô, pintor de paredes, porteiro, faxineiro e garagista, formou o Trio Forrózão com os pernambucanos Chiquinho, 34 anos, Edinho, 38 anos, e o carioca Nicodemus, 38 anos. “Em prédio, só não fui síndico”, diverte-se Brilhante, que morou na favela Curral das Éguas, na Zona Oeste do Rio até o começo dos anos 80. Depois de tocar todo fim de semana durante dez anos na feira de cultura nordestina, no bairro de São Cristóvão, apareceu a chance de gravar o primeiro CD, em 1998. Irmão de Pedro Sertanejo – responsável pela fundação da primeira casa de forró em São Paulo na década de 60, para migrantes nordestinos – Joca, um baiano de 40 anos, já fez parte das bandas de Dominguinhos e Oswaldinho do Acordeon. Há quatorze anos ele se juntou com o sergipano Aloysio, 36, e o pernambucano Zito, 37, para formar o Trio Sabiá. Com nove LPs e três CDs gravados na carreira, eles lançam um CD em julho, Trio Sabiá Fazendo a Festa. “É o nosso primeiro disco que terá grande distribuição”, comemora ele.

 

Colaborou Alessandra Nálio

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