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Profissão

O amigo do rei
Gerente de hotel de rede internacional, o colombiano Álvaro Rey gerenciou os palácios do rei Hussein, secou o turbante de Yasser Arafat e presenciou festas de chefes do tráfico na Colômbia

Alessandra Nalio

Piti Reali

Entre as qualidades necessárias para gerenciar um hotel estão a simpatia, a hospitalidade e a disposição para o trabalho. O colombiano Álvaro Rey, formado em hotelaria pela Swiss Hotel Association, na Suíça, e atual gerente do Inter-Continental Hotel de São Paulo, reúne esses e outros predicados. Mas a espontaneidade e capacidade de improviso são pontos fortes em sua personalidade. Certa vez, quando era gerente de um hotel em Medellín, na Colômbia, na falta de quartos, Rey hospedou em sua casa uma família inteira de turistas. Num outro episódio, levou colchões de sua residência para o hotel. Ele guarda as melhores recordações do período em que viveu na Jordânia. Por dois anos, gerenciou os palácios do rei Hussein, que morreu de câncer em fevereiro de 1999. Lá conheceu reis, rainhas, príncipes, princesas e grandes líderes como o ex-presidente francês François Mitterrand (morto em 1996), o rei Hassan II, do Marrocos, morto em 1999, e o líder palestino Yasser Arafat, com quem manteve um relação muito próxima. Rey foi um dos poucos a vê-lo sem o famoso turbante.

Filho mais velho de um bem sucedido dentista colombiano, Rey causou espanto na família quando disse que iria estudar hotelaria. No final dos 70 essa era uma profissão desconhecida em seu país. Por isso formou-se na Suíça. Aos 22 anos, já era assistente de alimentos no Inter-Continental Hotel, de Medellín, e, em alguns meses, passou a subgerente. Nos quatro anos em que esteve lá, Rey se meteu nas mais curiosas situações. Já correu atrás de um hóspede alemão pelas ruas. “Estava drogado e só de cuecas. Acabei tendo que levá-lo ao hospital”, lembra. Rey assistiu a grandes festas organizadas pelos reis do tráfico, como Pablo Escobar, morto em dezembro de 1993. Uma vez, um outro traficante deu uma grande recepção e na saída, os convidados tiveram uma surpresa. “Era o aniversário de 15 anos da filha e ele deu a cada um dos convidados um carro importado de lembrança”, conta. Na Venezuela, onde trabalhou por dois anos, o gerente encontrou um hóspede morto na noite de reveillón. “Acontece de tudo”, diz.

Arquivo Pessoal
Álvaro Rey com Yasser Arafat

Em 1990, Rey aceitou o desafio de gerenciar o hotel da rede Inter-Continental em Amã, capital da Jordânia. Sua adaptação foi difícil, por causa do idioma e dos costumes. Cumprimentar homens com beijos na face não era ruim, mas constrangedor era andar de mãos dadas com eles. “Quando se aproximavam, enfiava a mão no bolso”, conta. Em um almoço no hotel, Rey conheceu a filha do rei Hussein, Raya. Descobriram que tinham o mesmo hobby, cavalos. Ele passou a freqüentar os palácios reais e foi convidado pelo rei para gerenciá-los. “Jamais conheci um líder tão maravilhoso. Servir a sua família foi um de meus maiores prazeres”, lembra. Rey foi incumbido de organizar a festa dos 40 anos do reinado de Hussein, em 1991.

Da fase em que viveu na Jordânia, Rey guarda boas histórias. Numa madrugada foi avisado por seus funcionários que o líder palestino Yasser Arafat havia chegado ao hotel. Rey levou-o até seu quarto e recebeu a incumbência de lavar seu turbante para a manhã seguinte. Sabendo que a lavanderia já estava fechada, não teve dúvida: “Coloquei na máquina de lavar e enchi de sabão. Deu dez minutos e a máquina transbordou”, lembra. Numa manobra rápida, Rey encheu a banheira de água, tirou o sabão e secou o turbante com um secador de cabelos. “Na manhã seguinte entreguei em suas mãos”, conta. Arafat só soube do incidente um dia antes do retorno definitivo de Rey à América. Foi o próprio gerente que contou e arrancou algumas risadas do líder.

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