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Irene Ravache

“Sou uma estrela free-lancer”
A atriz diz que abriu frentes de trabalho para artistas fora da Globo e conta como se livrou da culpa por seu filho ter usado drogas

Paula Quental

Eliane Coster
“Há pessoas que ficam desesperadas se não estão na Globo. Optei por não estar presa a nenhuma emissora. Sou uma boa atriz, competente no que faço”

O telefone da casa de Irene Ravache, em São Paulo, não pára. E sempre quando está em casa atende com prazer amigos da televisão lhe pedindo indicações para formação de elencos para novelas. Prestigiada por sua atuação no teatro e na tevê, muitas vezes é procurada por diretores e autores da Rede Globo tanto para opinar sobre a escolha de certos artistas quanto para receber convites.

Mas, diferente de tantas estrelas que se sentem sem chão quando não fazem parte do elenco da maior emissora do País, a opção de Irene é transitar por várias delas, como uma free-lancer. Atualmente na Rede Record, onde atua na novela Marcas da Paixão, ela escolheu se fixar em São Paulo para ficar perto de sua mãe, acamada há sete anos. Aos 55 anos, Irene é uma estrela diferente. Fora dos palcos e das telas, não se deslumbra com a fama. “O sucesso é passageiro”, diz. Casada com o jornalista Edson Paes Mello e mãe de Juliano, 26 anos, e Hiran, 34, ela superou há quatro anos a angústia de ver seu filho mais velho lutar contra o vício das drogas. Agora ele se prepara para dirigi-la na peça Eu me Lembro, de Geraldo Mayrink e Fernando Moreira Salles.

Depois de Suave Veneno, você declarou que não faria mais novela. Mas voltou. O que houve?
Não, não foi um tchau para as novelas. Eu tenho minha produtora de teatro e trabalho mais com teatro. O que eu disse uma vez é que eu não voltaria a ser contratada fixa.

Nunca foi contratada da Globo?
Para uma novela. Quando acabou, me chamaram para recontratar. Aceitei, mas para fazer só mais uma. Eu ficaria parada e voltaria para uma próxima novela, tendo a opção de fazer ou não. Quando acabou Suave Veneno, o Daniel Filho disse: “Você quer continuar? Você não quer, né, Irene?” Ele perguntou e respondeu. Eu falei: “Não, não quero, Daniel.” Não me sentiria bem em ser chamada para uma novela e recusar. Não acho que os tempos sejam para eles me manterem sem saber se vou querer trabalhar. Antes isso não pesava tanto. Hoje pesa.

Você esteve na Globo, depois foi para o SBT e agora faz uma novela na Record. Não sente falta de ser uma estrela da Globo?
Não. Sou uma estrela free-lancer. Se sentisse, estava lá. Há pessoas que ficam desesperadas se não estão lá. Optei a não estar presa a nenhuma emissora. Por isso, abro frente de trabalho para artistas em outros lugares. Sou uma boa atriz, competente no que faço. Depois de 12 anos fora da Globo eu fiz Suave Veneno, em 1999. Mas nesse tempo o meu telefone tocou e recebi muitos convites. Tive propostas para a grande maioria das novelas.

Você se sente uma estrela?
Não quando estou numa fila de banco. Sou estrela no palco. Outro dia, peguei fila no Banco do Brasil e, a certa altura, um funcionário me chamou. “Por que a senhora está na fila?”, perguntou. Disse que ficar na fila era meu dever e que o dever dele era me tirar dela.

Recebe muitas cartas?
Não. Mas na rua falam comigo. Uma mulher, um dia, me disse que se sentia inferior por ser gordinha e que depois de ler uma frase minha se libertou. A frase era “Se a blusa de lycra não fica bem para mim, problema da blusa”.

Deixa de comer o que gosta?
Só se fizer mal. Mas preciso fazer uma plástica na barriga. É flacidez. Não faço ginástica, nunca fiz. Sou preguiçosa.


Nunca fez plástica?
Fiz no pescoço aos 50 anos. Também botei o peito no lugar, mas aí é consumo interno. Daqui a pouco tenho que fazer alguma coisa. Mas não posso trair o público que está envelhecendo comigo. Não posso entrar com 55 na sala de operação e pedir um rosto de 32.

Sempre fez terapia?
Sempre. Minha terapeuta me ajuda a administrar, e não a ser administrada pelas coisas. Somos muito cobradas.

Quem te cobra? As emissoras?
As emissoras não chegam a me cobrar, mas se cobram uma colega, você transfere. É aquele comentário: “Ela está velha”. Parece que dizem: “Ela deu um desfalque!” Como se fosse desonra.

Como conheceu seu marido?
O Edson é jornalista de variedades. Ele tinha ido assistir Hair e o Ney Latorraca participava. Eles são amigos. Ele estava junto com a mãe do Ney Latorraca e eu passei. Ele falou assim para ela: “Você tá vendo aquela moça? É ela que eu quero pra mim.”

E já começou a namorar?
Não. Mas precisei de um namorado de ficção. Tinha um admirador. Ele era de Goiás e eu disse que tinha um noivo. O cara falou que só desistia se me visse com ele. O Edson se prestou ao papel.

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