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Convivendo com feras Luciano Suassuna Diretor de Redação
Ao contrário da quase totalidade das pessoas que visitam o Pantanal mato-grossense, o repórter Fábio Bittencourt e o fotógrafo Piti Reali não tiveram tempo de pescar. Durante 72 horas, eles estavam mais atentos ao que acontece na copa das árvores do que no leito dos rios. A dupla foi ao Pantanal para retratar o trabalho da bióloga Neiva Guedes, de 38 anos, que há uma década trabalha a reprodução das araras-azuis, com o objetivo de ampliar os exemplares da espécie. Para dois paulistanos essencialmente urbanos, a vida selvagem do Pantanal deslumbra, instiga e assusta. Piti, de 27 anos, só havia visto jacarés numa visita ao Jardim Zoológico. Na tentativa de capturar um ângulo mais adequado da pesquisadora, tentou acompanhá-la numa subida à árvore. Acabou derrubado pelo excesso de peso – seu e do equipamento. Fábio retornou a São Paulo com a frustração de não ter se deparado com uma onça pintada – apenas com pegadas ainda frescas do animal. Palco da batalha de uma bióloga para preservar a fauna, a fazenda em que eles se hospedaram, em Miranda (MS), foi cenário de batalhas durante a Guerra do Paraguai. Na busca pelas reportagens da semana, quem ficou mais próximo de uma fera foi a dupla formada pelo repórter César Guerrero e o fotógrafo Edu Lopes. Na tentativa de reconstituir um crime que abalou a cidade de Ibiúna, no interior de São Paulo, Guerrero fez uma entrevista de dentro do carro de reportagem. Do lado de fora, um rotweiler protegia a mãe de Alexandre da Silva, caseiro do ministro José Serra. Alexandre matou a pauladas a faxineira do sítio da atriz Marisa Orth. “Ela garantia que o cão era manso, mas a gente achou melhor não arriscar”, diz Guerrero. Pela crueldade do crime relatado à pág. 70, a fera de verdade estava distante dali, encarcerado numa prisão de um município vizinho para não ser linchado pelos moradores da outrora pacata Ibiúna. |
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