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Por onde anda

Aventura ilimitada
Kadu Moliterno muda com a família para o Havaí e vem ao Brasil tentar criar seu parque temático

Cesar Taylor

Kadu cuida dos negócios ao lado de sua mulher Ingrid e dos filhos, como Kenói. “Importante é dar um mergulho todo dia”

Sete horas da manhã em Oahu, a maior ilha do Havaí e onde quebram as ondas mais raivosas do planeta. Em Waimea, praia no lado norte da ilha, as ondas estão quebrando da esquerda, com 2,5 metros de altura, temperatura da água em torno de 20 graus e vento fraco vindo de Noroeste a cinco nós. Ideal para o surfe. O sol ainda está um palmo acima da barra do horizonte. Os primeiros surfistas na praia estudam o mar em busca do melhor pico. Entre eles, o ator Kadu Moliterno. Ele estaciona sua van, desamarra a prancha Erick Arakawa, um “shaper” nativo, veste uma pele de lycra e joga-se mar adentro. Só vai sair da água uma hora e 12 ondas mais tarde, com pressa em ir para casa, onde terá de preparar o almoço dos três filhos.

Eterno intérprete de garotões malhados de beira de praia, Kadu, hoje com 47 anos, abandonou o personagem adolescente. Mas não a praia. Há seis meses ele mudou de prancha e cuia para Oahu e levou a mulher, Ingrid, e os filhos Kawai, 7 anos, Lanai, 6, e Kenói, 3, todos batizados com nomes de ilhas do Havaí, sua paixão desde a adolescência. Para muitos, ele será sempre o Juba do seriado teen Armação Ilimitada. “Até hoje quem era criança nos anos 80 ainda me chama assim”, diz. Os filhos estudam em uma escola local, falam inglês “melhor do que o pai”, e já estão caindo nas ondas privilegiadas de Oahu. “Meu pai é que me ensina”, explica Kawai. A mulher estuda jornalismo em uma universidade da ilha.

À espera de ser novamente convocado pela Rede Globo, onde trabalha há 23 anos, Kadu por enquanto vive o personagem de empresário. Ele gravou um piloto de programa de tevê no Havaí e está no Brasil para finalizá-lo e vendê-lo para um canal pago. “Não deu para editar no Havaí porque os custos são muito altos”, afirma. Ainda indefinido entre os nomes Life Style e Aloha, Kadu, o programa está sendo negociado com os canais Sportv e ESPN e deverá ter uma definição nas próximas semanas. “Eu tenho que fazer tudo, sou o produtor, o apresentador, o diretor, câmera, contra-regra, o que pintar”, diz.

Sua aventura mais ambiciosa, no entanto, está prestes a acontecer. Na contramão dos ventos econômicos, Kadu decidiu investir em um parque de diversões temático, o Aventura Ilimitada, baseado na minissérie Armação, que consolidou sua fama, entre 1985 e 1989. “O parque tem a ver com a bandeira que sempre defendi, que é saúde, esporte e aventura, além de manter contato com o público infanto-juvenil”, explica. O projeto já foi tentado em 1997, dentro do parque Terra Encantada, no Rio, mas não vingou porque o parque faliu. Durante seis anos, ele teve a grife Juba & Lula, parceria com o ator André de Biasi, com 44 produtos, entre brinquedos e acessórios – que também acabou quando o programa saiu do ar.

Ele não entende muito do setor de parques, não estudou administração, mas tem sua imagem e parcerias de peso, como a firma de brinquedos de parques Fionda e o escritório de arquitetura Michell Gorski. Ele acaba de chegar ao Brasil e fica até agosto para sentir a temperatura do mercado, que nos últimos cinco anos viu os investimentos no setor chegarem a cerca de US$ 1,5 bilhão. Na quinta-feira 15 Kadu se reúne com os sócios para definir a estratégia de captação de recursos para o parque. Se o projeto vingar, ele estará seguindo a trilha aberta por outros personagens da televisão que se aventuraram por esse terreno, entre eles Gugu Liberato, Xuxa Meneghel, Beto Carrero e o rei dos quadrinhos nacionais, Maurício de Souza.

Estes projetos hoje são vistos com reservas pelo mercado. “É um investimento pesado demais para sustentar a longo prazo”, explica a consultora Ana Paula Saião, que tem outros parques em sua carteira de clientes. Segundo ela, esse tipo de investimento dá mais certo em São Paulo do que no Rio. “Com todas aquelas praias maravilhosas, a atração por parques diminui ”, avalia. Caso o personagem empresário não emplaque, Kadu sempre terá outros na manga. “Basta que a Globo me telefone e eu estou lá no outro dia”, diz. Em 33 anos de carreira, ele teve seu primeiro papel de protagonista em 1983, como José Eleutério, o filho do diabo na novela Paraíso. Outro papel que o marcou foi o do pacífico marido Figueira, de Suave Veneno. Mas foi em seriados que ele ficou mais conhecido, como Anos Rebeldes e Armação Ilimitada, no qual fazia Juba, parceiro de Lula (Biasi), ambos pais adotivos de Bacana (Jonas Torres) e namorados de Zelda Scott (Andréa Beltrão).

Hoje suas preocupações são menos com a fama e mais com o sustento da família de cinco pessoas, com uma casa no Rio de Janeiro e outra no Havaí. Em março, quando a escala de atores da Globo para o primeiro semestre foi finalizada, ele não estava incluído. Ele deveria protagonizar o seriado Mar Aberto, mas o projeto foi derrubado da grade. Precisou ir à luta. “Se eu fosse americano, com os 32 anos de carreira com 22 novelas vendidas para o mundo todo, eu estaria cobrando para ler script e morando em Beverly Hills só com os direitos das obras”, reclama. “No Brasil não dá para parar de trabalhar.” Quando voltar a Oahu, em agosto, suas preocupações serão mais amenas. Sunset Beach, Pipeline, Waimea ou Haleiwa? “O importante é dar pelo menos um mergulho todo dia”, diz.

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