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Moreira da Silva deixa o palco do samba
Cantor e compositor morreu na terça, no Rio de Janeiro, aos 98 anos e ganha homenagens na forma de um show tributo e um livro

Regina Cintra

Pedro Agilson
O sambista Moreira da Silva

O sambista Moreira da Silva morreu na terça, dia 6, às 10 horas, no Rio de Janeiro, por falência múltipla dos órgãos. O cantor de 98 anos estava internado desde o dia 29 de abril. Moreira fez seu último show - “Quase Cem” - no dia de seu último aniversário, em 1º de abril, totalizando 65 anos de dedicação à música. Sempre trajando terno e chapéu branco e “cultivando” a imagem de malandro carioca, o cantor e compositor também era conhecido pelo seu lado brincalhão e ótimo senso de humor.
Natalício Norberto, amigo íntimo do cantor e compositor desde os anos 50, lamentou a perda e lembrou de uma brincadeira que o sambista fazia sempre. Ele dizia que queria ser cremado. Se não fosse possível, bastava atravessar a rua, uma vez que morava em frente ao cemitério em que sua esposa, Maria da Silva, estava enterrada, na zona norte do Rio. “O samba de breque se foi com ele”.

A importância deste artista que já lançou mais de cem discos é tanta que, anualmente, a Sociedade dos Amigos da Rua da Carioca e Adjacentes comemora o seu aniversário com uma festa de rua.

“Kid Morengueira”, como era conhecido, ficou por 17 dias internado na Casa de Saúde Santa Terezinha e deixou uma dívida de quase R$ 50 mil. A família arcou com pouco mais de R$ 13 mil, restando ainda o pagamento de cerca de R$ 37 mil. Graças à interferência da amiga Emilinha Borba, o sambista foi transferido para o Hospital dos Servidores Públicos do Rio.

Para acabar a dívida e ainda prestar uma homenagem a Moreira, a produtora Hela di Castro organizou um tributo. O show, em caráter beneficente, estava programado desde antes do falecimento. Se apresentarão no próximo dia 14, no Canecão (Rio), os cantores Paulinho da Viola, Beth Carvalho, Sandra de Sá, Bezerra da Silva, Jards Macalé, Dicró, Emilinha Borba, Elza Soares, Billy Blanco, Carmem Costa, Zé Renato e Moacyr Luz, além de seu médico particular, Dr. Amin, que eventualmente acompanhava o artista em seus shows. Cissa Guimarães será a apresentadora.

Além desta homenagem musical, o trabalho de Moreira da Silva também motivou o amigo e jornalista Natalício Norberto a escrever a respeito de sua carreira. “Moreira da Silva, o Malandro de 1º de Abril” traz depoimentos do sambista e de mais uma infinidade de artistas. O livro, no entanto, ainda não saiu do papel por falta de editora. Este - se for publicado - será o primeiro a abordar a obra do sambista. Antes disso, só havia sido publicado o trabalho do baiano Alexandre Augusto, autor de uma tese sobre o compositor.
O velório será realizado hoje (dia 6) no Teatro João Caetano. Amanhã (dia 7), o corpo será levado até o cemitério do Cajú, onde será cremado. O “Tributo a Moreira da Silva” será no dia 14, às 21 horas. Os ingressos vão de R$ 20,00 a R$ 45,00. O Canecão fica na Rua Venceslau Brás, 215, Botafogo (Rio de Janeiro).

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