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Por onde anda

Coca, só se for cola
Neuzinha Brizola deixa os loucos anos para trás, diz que largou as drogas e que só bebe refrigerante e vai apoiar o pai, Leonel Brizola, à Prefeitura

Luís Edmundo Araújo

André Durão
Acima do peso, Neuzinha exibe as tatuagens do passado e diz que está curtindo “a fase gordinha” com churrascos e almoços freqüentes na casa do pai, em Copacabana

Dos tempos de loucura, quando deixava o pai em maus lençóis, guarda a aversão à praia e duas tatuagens: a pantera no braço direito e a medusa no esquerdo. Aos 45 anos, Neuzinha Brizola volta à cena cultural como produtora e quer esquecer sua fase negra -- como se refere ao período de depressão e consumo de drogas, após voltar da Holanda, onde morou seis anos, até 1991. Comportada e acima do peso, a filha de Leonel Brizola está bem diferente da cantora que fez sucesso com a música “Mintchura”, há 15 anos, e era motivo de alegria para os adversários políticos do pai.

Seu estilo radical ganhou destaque no primeiro mandato de Brizola no governo do Rio, entre 1983 e 1987. Enquanto o pai governava o Estado, Neuzinha era figurinha fácil nas páginas de jornais, quase sempre envolvida em incríveis confusões. Nessa época, se autoproclamava sacerdotisa do Movimento Anarquista Tropicalista Energético, inventado por ela.

Foi com esse título que a cantora forneceu munição aos adversários do pai, quando alugou, em 1983, o Terminal Rodoviário Menezes Cortes, no centro do Rio, para celebrar sua união com o empresário Franco Bruni. Hoje, Bruni é procurado pela Justiça para pagar os direitos autorais da turnê do U2 ao Brasil, que promoveu. A festa, realizada no último andar do prédio do governo estadual, foi celebrada pelo então grão-vizir Paulo Coelho. Vestida de Cleópatra, Neuzinha casou-se numa tenda, cercada por archotes e cuspidores de fogo. “Não me arrependo de nada”, diz ela. “As experiências formaram a pessoa que sou. E sou feliz.” Pouco depois, se contradiz: “Só me incomodo de lembrar daquela fase negra”.

Flávio Colker
Há 15 anos, quando foi sucesso com o hit “Mintchura”

Uma das experiências foi um ensaio para a revista Playboy. A publicação foi suspensa por Brizola. Ainda que sem arrependimentos, Neuzinha evita falar dos escândalos vividos no início dos anos 90, no segundo mandato de Brizola. Naquela época, Neuzinha passou a freqüentar as páginas policiais. Por duas vezes foi presa com cocaína e sempre se envolvia em confusões no prédio onde morava. Em agosto de 1993, a cantora quase parou na delegacia depois de brigar com a sua empregada, Rose Alves, por causa de sua cadela Tininha. “Graças a Deus superei essa fase”, diz Neuzinha. Ela diz que não precisou de tratamento para largar as drogas. “Minha terapia foram meus filhos e minhas cachorras.”

Hoje, o único vício é o cigarro. Neuzinha adotou um estilo calmo para responder às perguntas, quase monossilábico. “Estou bem low profile, mais tranqüila”, admite, sem se alongar na resposta. Não fosse pelas tatuagens, a filha de Brizola poderia ser confundida com qualquer dona de casa de Ipanema, bairro onde mora, na zona sul carioca. Ela divide o apartamento com duas cadelas vira-latas e o filho Paulo César, 18, que trabalha como assessor do avô. Mas a ex-cantora passa boa parte de seu tempo na casa da filha Layla, 25, no mesmo bairro, paparicando os dois netos, Túlio, 6, e Breno, de um ano de idade.

Layla é sócia da mãe na produtora LGN, que também tem participação do empresário Edson Guerra. Neuzinha é uma mãe pacífica e nunca teve problemas com os filhos. “A mãe é que aprontava”, diz Neuzinha, sobre si mesma. Layla endossa os loucos anos da mãe, mas lembra: “Já foi bem pior. Agora está tudo em paz”. Neuzinha parece tão zen que diz não se lembrar do nome do pai de sua filha. “Sabe que eu esqueci?”, desconversa. Aos 19 anos, grávida, ela foi obrigada pelo pai a casar-se com o uruguaio Sergio Carrasca Larrosa. Casados por um ano, já estavam separados quando Larrosa foi preso em Copacabana em 1986 por porte ilegal de arma. Por isso, perdeu o pátrio poder sobre Layla.

Hoje, mãe e filha são sócias

Atualmente, a relação entre Neuzinha e Leonel Brizola vai bem. Quando não o acompanha em temporadas na fazenda do Uruguai, na província de Durazno, Neuzinha aproveita o tempo livre para almoços no apartamento do ex-governador, em Copacabana. “Se ele for candidato a prefeito do Rio, vou apoiá-lo como sempre apoiei”, Comida é outro de seus prazeres atuais. “Estou curtindo minha fase gordinha”, reconhece a ex-cantora. A nova silhueta, ela diz, foi adquirida às custas de muito churrasco, comida japonesa e coca-cola.

O primeiro lançamento de sua produtora foi a cantora Analu Guerra, em um show realizado no último dia 15 de maio, que lotou o Hipódromo Up, uma casa de espetáculos da Gávea, zona sul carioca. A próxima empreitada de Neuzinha será promover o retorno aos palcos da cantora Watusi. Além dos shows, a ex-cantora quer expandir seus negócios para produções de cinema, teatro e a captação de recursos para qualquer atividade cultural. “Estamos só no começo”, diz. Solteira, depois de três casamentos desfeitos, a filha de Brizola aposta no sucesso de seus novos empreendimentos, mas não demonstra qualquer ansiedade. Por nada no mundo ela parece perder a calma adquirida depois de anos de tantas loucuras e confusões.

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