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Lily Marinho íntima e pessoal
Casada com Roberto Marinho, a socialite pouco sai à noite e, a pedido dele, não usa salto alto e decotes, nem pode fazer plástica ou falar ao telefone depois das cinco e meia

Viviane Rosalem

Fotos: Zulmair Rocha
Em sua sala, com o doberman Kais, e na festa de aniversário de 95 anos do marido: “Nosso casamento tem de tudo”, diz Lily

Uma vez por mês, a socialite Lily de Carvalho Marinho, 78 anos, reserva um dia para visitar suas duas fazendas no interior do estado do Rio, nas quais possui quatro mil cabeças de gado. Há dez anos, ela enfrentava duas horas e meia de carro para chegar ao seu destino. Hoje, vai de helicóptero, apesar do medo de voar. Faz a vontade do marido, o dono das Organizações Globo, Roberto Marinho, 95 anos, com quem está casada há nove. “Roberto diz que os acidentes são mais freqüentes nas estradas”, diz. É uma prova de como a socialite mudou os hábitos desde que oficializou a união com o empresário em 1991, após um ano de namoro.

Antes de sair, Lily seleciona duas peças de roupa para o marido escolher com qual deve se vestir. Abandonou os saltos altos que a tornavam mais alta que ele e abusa dos cremes pois Roberto Marinho a impede de fazer plástica. Aceitou, resignada, a regra de só sair escoltada por seguranças. São 25 que servem ao casal. “Um dia, perdi a vontade de parar para comer um doce só de pensar que eles viriam atrás”, lembra. Certa vez, os desafiou. Ao deixar uma loja em Ipanema, onde fora comprar gravatas para o marido, viu que eles se distraíram e escapou. “Ficaram enlouquecidos”, diverte-se. Lily está sempre em casa no fim da tarde, quando Roberto Marinho chega do trabalho. “A partir das 17h30, não me deixa mais falar ao telefone. Quer total atenção.”

O casal se conheceu em 1942. A socialite era casada com o primeiro marido, o jornalista e dono do Diário Carioca, Horácio de Carvalho Junior. À primeira vista, Roberto Marinho se apaixonou por Lily, mas omitiu o sentimento em nome da amizade com Horácio até a morte do empresário, em 1983. Lily o reencontrou no jantar de aniversário da amiga Helô Guinle, em 1986. Quatro meses depois, ele se separava de sua segunda mulher, Ruth, para declarar-se à socialite. “Ele me perguntou se podia me visitar ou jantar comigo”, conta.

O namoro começou durante o divórcio. Nem mesmo os filhos de Roberto Marinho – Roberto Irineu, 51, João Roberto, 44, e José Roberto, 41 – se opuseram. Antes de se unir ao dono das Organizações Globo, Lily já era dona de uma fortuna de US$ 150 milhões, que herdara do marido. A viúva de Horácio de Carvalho, com quem se casou um ano após ser eleita Miss França, em 1938, chegou a ser dona de 18 fazendas, nas quais cultivava milho, arroz, feijão e café. Hoje, sua prioridade é zelar pelo bem-estar do marido na mansão no Cosme Velho, zona sul do Rio. “Desde que ela se casou de novo, sai menos”, diz Maria Helena Gondim, autora do livro Sociedade Brasileira, que já a acompanhou até a quadras de escolas de samba. “É dedicada ao marido e não pode atender a milhões de convites”, explica a socialite Josefina Jordan. “Só a encontro em grandes eventos”, diz Evinha Monteiro de Carvalho, dona do grupo Monteiro Aranha, com patrimônio de R$ 500 milhões.

“O Roberto é muito teimoso. Vou cedendo e ele acaba conseguindo o que quer’’

Na casa de três andares, Lily tem o luxo aos seus pés. No térreo, além do jardim projetado por Burle Marx, com cachoeira e lago com 200 carpas, há duas salas de estar. Numa delas, está o quadro Santa Cecília, de Portinari. Um elevador conduz até o quarto do casal, no segundo andar, onde Lily e Roberto Marinho tomam o café da manhã. No terceiro pavimento, ficam os quartos dos criados e dois cômodos para guardar toalhas e roupas de cama, quase sempre brancas e trocadas em dias alternados. Ela compra lençóis e toalhas na França, mas manda bordá-los no Brasil. “As bordadeiras daqui são melhores.” O segundo andar também abriga sala de cinema, quarto de hóspedes, biblioteca e dois closets. No do empresário, há uma coleção de cinco mil gravatas. Lily diz que raramente compra roupas. “Não me importo de repeti-las umas cinco ou seis vezes.” O casal viaja para os EUA de três em três meses, apesar do pavor da socialite por avião. “Tomo vários comprimidos de Vallium”, diz. Nessa hora, não conta com o apoio do marido. “Ele dorme”.

O mordomo Edgar Peixoto, 42 anos, que há 15 atende a Roberto Marinho, é quem chefia os oito empregados – três copeiras, uma cozinheira, uma lavadeira, dois jardineiros e um só para cuidar dos animais: dois dobermans, dois gatos e 50 flamingos. Lily não decorou o nome de todos os auxiliares, mas exige uniformes limpos e bem passados. A criadagem é contratada pela São Marcos Agropecuária, empresa do casal, e tem plano de saúde. A generosidade é outra característica da socialite. Numa de suas fazendas, ela construiu uma escola. No Rio, é vice-presidente da Creche São João Batista, em Botafogo, para crianças carentes. No Natal, distribui brinquedos na favela do morro Cerro Corá, perto de sua casa. Com as amigas, também é carinhosa. “Nas viagens, traz um presente para cada uma”, diz Maria Helena. Já ofereceu uma festa de três dias numa de suas fazendas para Hildegard Angel, que assina uma coluna em O Globo, quando a colunista social se casou com o jornalista João Rezende. “É uma anfitriã exemplar”, diz Hildegard.

Fotos: Zulmair Rocha
Em 1993, numa festa promovida por Ibrahim Sued: “Se o Roberto diz que a roupa está decotada, lhe apresento uma segunda opção”

Se nas festas dita o cardápio, no menu diário Lily não opina. Ele é escolhido pelo mordomo e aprovado por Roberto Marinho. Quinze minutos antes das refeições, ela é informada de qual será a entrada e o prato principal para optar por um dos dois. É autodidata com sua dieta. “Durante seis meses, como de tudo. Nos outros seis, faço regime”, ensina. Não gosta de exercícios porque o pai, o militar inglês Edward Lemb, a obrigava a acordar cedo para fazer ginástica, aos seis anos. “Só ando a cavalo”, diz ela, que cria mangas-largas. Longe de ser sintoma de desleixo. Lily usa unhas postiças vermelhas e retoca a tintura do cabelo a cada 15 dias. No tempo livre, ouve música – “gosto dos clássicos e de Roberto Carlos” – e se diverte com os cães que circulam livremente pela casa. O doberman Kais tem o privilégio de andar no banco de trás do Jaguar do casal. À noite, Lily se distrai com a tevê, depois que o marido vai dormir, entre 20 e 21 horas. Assiste ao Jornal Nacional e ao Jornal da Globo e aprecia as entrevistas de Marília Gabriela, que recentemente trocou o SBT pela Rede TV! “Gosto de seu modo de entrevistar”, elogia.

Durante 14 anos, Lily fez terapia para superar o trauma pela morte do único filho, Horácio, aos 26 anos, num acidente de carro em 1966. Recorreu ao espiritismo e encontrou conforto nos livros de Alan Kardec. “Sou católica, mas acho que existe algo depois de nossa vida”, diz. Tentou engravidar de novo, mas a idade – tinha 44 anos – não permitiu. Sete meses depois, adotou João Baptista, hoje com 35 anos, que lhe deu três netos: Felipe, 12 anos, Gabriela, 2, e Anthony, 1. Lily conheceu sua família através de Sarah Kubitschek, mulher de JK, que na época adotara uma menina. João tinha um ano e meio. Uma das grandes decepções de Lily foi o fato de ele nunca ter se interessado pelos negócios da família. Para satisfazê-lo, montou um estúdio de gravação e uma produtora de filmes. Nem assim João se empolgou. Um amigo de Lily diz que o filho lhe dá menos prejuízo quando não está à frente dos negócios. “Tenho a impressão de que ele não correspondeu ao que ela esperava, apesar de ela nunca ter reclamado”, concorda Maria Helena Gondim.

“A paixão se transformou em amor sólido. Continua tão forte como no tempo em que namorávamos”, diz ela

Nascida em Colônia, na Alemanha, e criada na França até os 17 anos, Lily é amante das artes. Presidiu as comissões de honra das exposições de Rodin, Picasso, Camille Claudel e Monet. Esta última, em 1998, foi recorde de bilheteria do Museu Nacional de Belas Artes, no Rio, com 432 mil visitantes. O chef Laurent Suaudeau, que organiza os bufês de suas festas desde 1987, lembra que ela serve aos amigos o que há de melhor. Até seu champanhe preferido, Don Perignon, safra 90, cuja garrafa custa R$ 320. A sofisticação está presente também em seu modo de falar. Poliglota, aprendeu português com o marido Horácio e com uma cozinheira baiana. “A primeira coisa que falei foi oxente”, diverte-se. Mas não é à toa que até hoje conserva o sotaque francês.

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