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Sandra Bullock

“Qualquer um pode ser símbolo sexual”
Atriz americana garante que não é chegada em espelhos, mas admite levar horas para se vestir e diz sentir-se mais sexy com a maturidade

Marcelo Bernardes,
de Los Angeles

Divulgação
“Você entra na indústria de entretenimento e eles trabalham para te transformar em símbolo sexual. São fotos com os melhores profissionais, aplique no cabelo, batom brilhante”, diz a atriz

Para compor a personagem no filme 28 Dias – uma jornalista alcoólatra, que precisa de tratamento – a atriz Sandra Bullock foi parar num centro de desintoxicação em Sierra Tucson, no Texas. Lá, em entrevista à Gente, a atriz diz ter deixado de ser Sandra Bullock, nome que movimenta uma cifra de US$ 12 milhões por trabalho. “Foi a primeira vez em não sei quanto tempo que tive uma conversa honesta com um desconhecido.”
Fazendo o tipo de mulher super ativa – que começou fazendo “uns bicos de faxineira para conseguir uns trocados” e nunca mais parou de trabalhar – Sandra diz que o vício por trabalho não lhe permite cair nas tentações que a personagem de 28 Dias experimenta. Além de criticar o estilo de vida das celebridades, a atriz de 35 anos fala sobre a maturidade e diz que detesta a expressão “símbolo sexual”.

Seu novo filme, 28 Dias, fala de tratamento contra o alcoolismo e o vício das drogas. Não é uma ironia que Hollywood, lugar cheio de viciados, esteja produzindo um trabalho desses?
O problema do alcoolismo e das drogas é violentíssimo em qualquer canto do mundo. Se você visitar uma clínica de desintoxicação é muito pouco provável que cruze com celebridades do cinema ou estrelas do rock. As pessoas que estão internadas são pré-adolescentes ligadas ao crack, mulheres de meia-idade, viciadas em pílulas de dormir. Mas como a imprensa só tem interesse por celebridades que vão para esses lugares, fica a impressão que o meio artístico é uma Sodoma e
Gomorra.

É difícil manter-se longe das tentações?
Meu nível de tolerância com o álcool é zero. Adoro tomar vinho, mas se entornar duas taças durante o jantar, alguém vai precisar dirigir o carro na volta. Até este momento de minha vida, nunca tive problemas relacionados ao vício das drogas ou com o alcoolismo. E olha que meu sangue é uma mistura de alemão, inglês, irlandês e francês. Geneticamente, era para eu beber como um peixe. Mas nunca tive satisfação depois de uma bebedeira. Só vomitei as tripas.

Como você relaxa e se descontrai socialmente?
Eu gosto de uma piração, mas, afortunadamente, sei ter momentos de êxtase sem fazer uso de substâncias químicas. Tenho muita energia por natureza.

A maioria dos artistas viciados diz que entrou nas drogas para se livrar das pressões cotidianas da profissão. Como você lida com as cobranças?
Sou uma workaholic. Evito qualquer tentação trabalhando. Se não estivesse na frente das câmeras, estaria ajudando meus amigos a fazerem seus filmes ou supervisionando a construção de minha casa. Não tenho tempo para fraquejos. Trabalho desde os 13 anos. Comecei fazendo um bico como faxineira para conseguir uns trocados. Desde então, nunca mais parei. Talvez devesse, não sei.

Antes de rodar 28 Dias, você se internou numa clínica de desintoxicação a fim de compor sua personagem. Como as pessoas do lugar a trataram?
Com muita relutância. Muitos não gostaram de me ver lá no primeiro dia. Mas o conselheiro disse uma coisa que ajudou a minha integração: “Você pode dividir sua vida honestamente com estas pessoas ou pode representar”. Quando fui dar meu primeiro passeio, já estava determinada a ser honesta. As pessoas me perguntaram se eu não tinha medo de que alguém passasse informações para os tablóides. A única coisa que eu tive que pedir a meus novos colegas é que fossem discretos, pois eles também poderiam confiar em mim. A experiência foi ótima. Pela primeira vez em muitos anos, a atriz Sandra Bullock deixou de existir. Foi a primeira vez em não sei quanto tempo que tive uma conversa honesta com um desconhecido. Não queria sair de lá.

“Acho uma presepada usar seu melhor vestido longo em bailes beneficentes e fazer aquela cara: ‘Olha aqui como sou linda, gostosa e samaritana’”

É tão difícil assim ser Sandra Bullock?
O difícil é lidar com a mídia. Mas tenho que revelar uma coisa: me sinto uma celebridade de araque. Se tivesse teste para isso, eu nunca passaria.

Em que disciplina tomaria bomba?
A de pretender ser uma coisa que não sou. As pessoas esperam certo comportamento de um ator nas premières de Hollywood: o jeito de você se vestir, a maneira como desliza sua fama, a viradinha para os fotógrafos. Toda vez que vou a um evento desses, o que, a propósito, é cada vez mais raro, sinto vontade de morrer. São três horas experimentando roupas e tentando não me sentir desconfortável. Tudo o que visto parece errado. Detesto sair toda emperiquitada.

O que mais você detesta no mundo das celebridades?
Uma coisa que não faço: aparecer em jantares ou bailes beneficentes. Acho uma presepada usar seu melhor vestido longo e fazer aquela cara: “Olha aqui como sou linda, gostosa e samaritana, pois ajudo o fundo de auxílio dos cavalos desdentados”. Acho meio ridículo emprestar sua imagem para uma causa.

Se ser celebridade é uma coisa fútil, como encara o fato de ser tida como um símbolo sexual?
Qualquer pessoa pode ser um símbolo sexual. Você entra nessa indústria de entretenimento e eles trabalham para te transformar num símbolo sexual. São fotografias com os melhores profissionais, aplique no cabelo, batom brilhante. Essas coisas fazem de qualquer mulher um símbolo sexual. Eu detesto essa expressão. Símbolo sexual atualmente significa que a mídia acabou de te colocar na cadeia.

Quem você vê quando se olha no espelho?
Depende do dia e de meu nível de autoconfiança. Atualmente, vivo pensando no fato da maturidade ter chegado. Adoro me sentir mais velha. Não me sinto competitiva, não sou invejosa. Não sou chegada em espelhos. O único espelho de minha casa é um francês de antiquário em cima de minha lareira. Mas ele apenas reflete a luz, ou seja, ele não tem uma função, apenas uma forma.

O que mais lhe agrada na maturidade?
Estou ficando mais feliz com o passar do tempo. Gosto cada vez mais de meu corpo do jeito que ele é. Me sinto mais sexy. Consegui conquistar várias coisas que sempre almejei. Eu me eduquei de uma forma que queria ser educada. Ninguém tem que me dar nada, eu mesma me dou. Também aprendi a lidar com a imprensa.

Como assim?
Eu diria que 80% de tudo o que é escrito sobre mim é incorreto. Você pega o artigo e vê apenas uma miragem da verdade nele. Segundo os tablóides, eu tenho uma vida incrível.

Qual é a mentira mais recorrente sobre você explorada nas páginas dos tablóides?
Talvez de que esteja grávida. Isso vira e mexe está aparecendo na imprensa. E eu fico indignada, pensando comigo mesma: “Será que é o jeito que estou aparentando agora? E achei que minhas sessões de malhação estavam em dia!”

Segundo a imprensa, Keanu Reeves teria sido seu namorado secreto?
Keanu? Nunca!

Ben Affleck?
Bobagem!

Matthew McConaughey?
Fomos namorados por muito tempo. E mantivemos nosso namoro longe da lupa da imprensa. Foi a melhor coisa para mim. Namorar é uma coisa complicada e torna-se um inferno quando a imprensa toda está em cima. Ele vai a uma festa, encontra uma loira amiga, dá um beijo no rosto e pronto! Uma foto no tablóide te faz acreditar no contrário. Mantenho minha vida particular muito bem guardada.

No ano passado, Matthew McConaughey foi preso depois da polícia ter recebido um chamado da vizinha dizendo que ele incomodava-a com o barulho. Quando a polícia chegou ao local, McConaughey estava pelado e tocando bongô.
Lá vem mais uma pergunta sobre ele. Foi um momento embaraçoso na vida dele. Que mais posso dizer?

Se ele tocava bongô pelado para você também.
(Risos). Eu o vi várias vezes pelado, mas ele não estava tocando nada. Espera aí, ele tocava alguma coisa!

Como Matthew McConaughey, você vive isolada na cidade de Austin, no Texas. Por que morar longe de Los Angeles ou Nova York?
A razão de gostar de viver em Austin é porque trata-se de uma cidade progressista, cabeça aberta e eu me sinto espiritualmente muito desenvolta por lá. Austin é um lugar racial, social e religiosamente muito integrado. Toda vez que desço do avião, escuto os grilos e sinto o cheiro da terra molhada, me sinto completamente em casa
.

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