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Drama

Wit – Jornada de um Poema
Despida de vaidades, Glória Menezes está sublime no palco

Mauro Ferreira

Divulgação
Glória e Diogo: cabeça raspada sob direção segura

Ao se despir de suas vaidades, raspando o cabelo e ficando completamente nua no palco, Glória Menezes veste a pele da grande atriz que sempre foi, mas que esteve sempre mais presente na televisão do que no teatro. Wit – Jornada de um Poema, peça em cartaz no Teatro do Leblon, no Rio, é um espetáculo arrebatador, profundo, desconcertante até. Seguramente dirigida por Diogo Vilela, Glória comemora seus 40 anos de carreira no papel de Vivian Bearing, uma professora durona de literatura inglesa que tem suas certezas abaladas com a descoberta de um câncer avassalador no ovário.

O premiado texto de Margaret Edson consegue até extrair um humor cáustico do cotidiano hospitalar que Vivian se vê obrigada a enfrentar. Mas o humor funciona como mero anestésico para a dor – da personagem e do espectador – de descobrir que orgulhos e princípios da vida cotidiana se desintegram com mais facilidade do que um tumor resistente, face à humilhação de estar nas mãos, como cobaia, de uma equipe médica fria e objetiva.

Glória está plena no palco. Coadjuvada por um elenco apenas correto, ela brilha com uma emoção intensa que nunca resvala no melodrama. O texto é difícil e exige atenção, pois recorre numerosas vezes à poesia de John Donne (1572-1631) para expor as mudanças e os medos por que passa Vivian diante da proximidade da morte. Mas, se resistir, o espectador ganhará mais do que lágrimas no comovente final. Ele terá a certeza de que o teatro ainda tem o poder de mexer com o ser humano, de fazê-lo pensar sobre a sua própria existência. Wit cumpre essa função de forma exemplar.

Imperdível

Até 20/8 – Teatro do Leblon – Rua Conde Bernardotte 26 – Rio de Janeiro

© Copyright 1996/2000 Editora Três