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Rock de Brasília

O Barco Além do Sol
Marcelo Bonfá, ex-baterista da Legião Urbana, lança primeiro álbum solo

Ramiro Zwetsch

Divulgação
Marcelo Bonfá: a mesma melancolia de Renato Russo

O rock brasileiro, grande sensação do cenário pop nos anos 80, andou meio em baixa nos 90. Perdeu espaço na mídia – sobretudo para o sertanejo, o pagode e axé – e viu seu caráter inovador se transferir para outros gêneros musicais, como o rap e a ainda emergente música eletrônica.

Subitamente, as guitarras voltam à cena nacional, marcando 1999 como o ano da recuperação de fôlego: o grupo Ira! volta a agradar a crítica com o álbum Isso É Amor, Los Hermanos surgem como revelação – sobretudo em vendas – e o lançamento do disco Acústico, inédito da Legião Urbana, reforça um sentimento crescente de idolatria à banda e seu líder, o falecido Renato Russo.

Por essas e outras, o lançamento de O Barco Além do Sol – primeiro álbum solo de Marcelo Bonfá, ex-baterista da Legião – é oportuno. Chega às lojas no momento em que os fãs do rock procuram por novidades no gênero ou simplesmente abraçam os mesmos militantes de 15 anos atrás, como Barão Vermelho, Plebe Rude ou Lobão!

Bonfá mostra em seu disco um estilo de cantar quase idêntico ao de tocar bateria: discreto, sem grande técnica, mas sempre coerente e eficaz. Não é o caso de compará-lo a Renato Russo que, no quesito interpretação, era quase imbatível. Mas o baterista traz uma melancolia parecida com a do antigo parceiro, nas letras, arranjos e até no jeito de cantar. É inevitável não olhar para atrás enquanto se ouve seu disco. A sonoridade, os timbres e a simplicidade têm a marca registrada da Legião Urbana, capaz até de confundir ouvintes desatentos. Bonfá não evita a comparação, ao contrário, faz questão de sublinhá-la, como legionário de carteirinha.

O compositor, em seu disco de estréia, defende a tese de que o rock não sai de moda, por maior que seja seu desgaste e a necessidade de se reciclar. Seu disco destoa de tudo e tem freqüência única. O Barco Além do Sol é leve da primeira à última faixa e flutua pelos mares do pop, por mais turbulentos que estejam. O rock nacional ainda tem muita água para nadar, além dos modismos do mercado fonográfico.

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