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Eddie Campbell

Alessandro Giannini

Divulgação

Gente Online - Jack, o Estripador é um personagem muito associado à Inglaterra vitoriana. Mas fala muito também sobre o país pós-Margareth Tatcher. O que você acha disso?
Eddie Campbell
- Muitas vezes eu questionei Alan (Moore) a respeito disso. Eu não acho que ele tenha pretendido nada alegórico, mas é justo dizer que que uma certa má vontade com relação às autoridades, nascida nos anos 80, teve influência no trabalho.

Por que Alan Moore e você resolveram apostar especificamente neste personagem?
Alan se sentiu atraído pela teoria exposta no livro de Stephen Knight, segundo a qual os crimes teriam sido cometidos por um dos herdeiros do trono. Eu acho que ele se sentiu atraído pela complexidade dessa tese mais do que qualquer coisa. Pelo fato de ser algo surpreendente, a primeira reação das pessoas é achar que não pode ser verdade. Tendo examinado todas as evidências e as teorias, não nos convencemos de que aquilo tudo é verdade e nos achamos em um outro patamar. Eu me diverti muito com o capítulo final, no qual nós desconstruímos a miríade de teorias a respeito do Estripador que apareceram nos últimos cem anos.

Do ponto de vista estilístico, o desenho acompanha o clima soturno do personagem e suas ações. Mas lança mão de uma estética bastante suja e disforme em alguns momentos. Pode explicar por que escolheu este caminho?
Suja e disforme? Eu só posso imaginar que você compare com outros tipos de desenhos e não com a vida real. Eu sinto uma apreensão com aquilo que passamos ao leitor quando desenhamos histórias em quadrinhos. Apesar disso, confesso que um certo expressionismo assombra meu trabalho.


O preto e branco também faz parte dessa escolha?
A série foi feita originalmente para integrar uma antologia de horror em preto-e-branco intitulada Taboo. Quando chegou a hora de publicar nosso próprio livro, decidimos recusar todas as ofertas que nos fizeram de colorizar os desenhos.

Toda a obra foi publicada ao longo de dez anos, com muitas interrupções. O interesse do público sempre manteve-se aceso nesse período?
É bem verdade que está nascendo uma nova geração de leitores. Mas também é verdade que Alan Moore está vivendo uma espécie de renascimento dos super-heróis. Isso está funcionando muito bem como imã de novos leitores para Do Inferno, que ele mesmo considera seu trabalho mais sério.

Conte-nos um pouco sobre seu projeto mais recente, Bacchus, e sobre os planos para a Eddie Campbell Comics.
Baco é um personagem que eu mesmo escrevo e desenho. Ele é o Deus grego do vinho, mas como estamos no ano 2000 ele conta mais ou menos 4000 anos de idade. Novos livros em que eu estou trabalhando incluem colaborações com Alan Moore derivadas do interesse dele em mágica. O primeiro saiu no ano passado e chama-se The Birth Caul e o segundo, no qual trabalho atualmente, vai ser intitulado Sankes and Ladders.

© Copyright 1996/2000 Editora TrÍs