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Entrevista

Afinal, Quem Faz os Filmes
Dinossauros de Hollywood falam a Bogdanovich

Geraldo Mayrink

Divulgação
Em entrevista, von Sternberg declara: “Marlene Dietrich sou eu”

Peter Bogdanovich é um privilegiado. Muito mais que Steven Spielberg, que faz filmes suntuários sobre dinossauros, ele conviveu e conversou com dinossauros vivos, de verdade, que falavam e filmavam. Bogdanovich foi cineasta de merecido prestígio (A Última Sessão de Cinema, Lua de Papel) mas também escreveu como ninguém. Uma prova está no livro Afinal, Quem Faz os Filmes (Companhia das Letras, 984 págs., R$ 62), que contém suas conversas com 16 diretores pré-históricos de Hollywood.

É obra preciosa, para cinéfilos e arqueólogos. A paciência do autor levou-o a começar certas entrevistas, congelá-las e retomá-las até trinta anos depois. Lá se aprende muito sobre os primórdios do cinema. Bogdanovich ficou rico e famoso numa época, teve um acontecimento trágico na sua vida (a mulher, Dorothy Stratten, de 19 anos, coelhinha da Playboy, foi morta a tiros pelo ex-marido, que depois fez sexo com o cadáver e se matou) e caiu no ostracismo de Hollywood.

Mas nunca esqueceu seus pais, os criadores do cinema. Lá estão a prosa do ancestral Raoul Walsh, nos anos dez, as dos emigrados de língua alemã (Otto Preminger, Joseph von Sternberg , Fritz Lang) ou inglesa (Alfred Hitchcock), além dos americanos da gema, como Howard Hawks, George Cukor e (entre os poucos vivos) Sidney Lumet. O livro desmente a lenda de que os dissonauros da velha Hollywood eram brutamontes que não raciocinavam. Sabiam o que queriam, e falam claramente disso. Leiam só: “Os cineastas inventam coisas muito além da imaginação” (Fritz Lang, sobre seu filme A Mulher na Lua, 1929). “Marlene Dietrich sou eu” (von Sternberg, sobre seu filme O Anjo Azul, 1931). “Naquele filme, Grace Kelly era uma mulher fria como toda mulher americana típica, mas só por fora. Isso se mostrou de forma mais aguda no beijo do corredor. É como se ela tivesse aberto o zíper das calças dele. É claro que a cena dos fogos de artifício é puro orgasmo” (Hitchcock, sobre seu filme Ladrão de Casaca, 1955). Há muito mais, em papos francos e reveladores.

Os brutos também amam

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