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Brasil+500

Século 19 e Olhar Distante
Visão estrangeira do País evidencia o conservadorismo da pintura brasileira do século 19

Rafael Vogt Maia Rosa

Divulgação
O melhor de cada módulo: Caipira Picando Fumo (1893), de Almeida Júnior

É natural querer comparar artistas estrangeiros e brasileiros depois de visitar os módulos Século 19 e Olhar Distante da Mostra do Redescobrimento, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo. Afinal, há uma grande coincidência de temas: a paisagem natural e os tipos regionais.

Em Século 19, a cenografia já antecipa o forte estilo neoclássico que predominou na arte brasileira do período, a tendência de se trabalhar com modelos acadêmicos e idealizados em estúdio. Tanto o índio, tipos regionais como o caipira, o nordestino e o gaúcho, quanto a paisagem, são recriados em uma perspectiva “sublime” e artificial, em uma tentativa de mostrar a história e cultura brasileiras de acordo com “padrões universais”. O exemplo mais radical é a grande tela de Pedro Américo (1843-1905) que apresenta a “nova sociedade brasileira”, depois da Lei Áurea, em um cenário greco-romano. Mas há boas exceções, como Almeida Junior (1850-1899), que conseguiu mudar o foco da pintura brasileira para cenas domésticas, fazendo uma crônica valiosa da vida privada no fim do século.

No módulo Olhar Distante tem-se, infelizmente em um cenário que remonta à Era Glacial – com árvores “clonadas” e uma luz azul imprópria para a apreciação de pinturas –, uma reunião ampla do que artistas estrangeiros viram e registraram nos séculos 17, 19 e 20, em suas viagens ao Brasil. Os destaques são o holandês Frans Post (1612-1680) e, no outro extremo, o artista contemporâneo alemão Anselm Kiefer, que revisita a cidade de São Paulo com a série “Lilith” (1998).

Enfim, a comparação entre os dois módulos evidencia a face mais conservadora da pintura brasileira, a mesma que os modernistas iriam condenar algumas décadas depois. Enquanto Post captava o caráter da paisagem brasileira, assimilando gradativamente a luminosidade “tropical” do Recife, o pintor gaúcho Manuel de Araújo Porto Alegre (1806-1879), por exemplo, mais de 150 anos depois, insistia em paisagens idealizadas.

Há que se fazer justiça e observar que outros estrangeiros, como Albert Eckhout, também tiveram momentos menos brilhantes ao retratarem “tipos brasileiros” como a Mameluca (1641), com fantasias inimagináveis para o contexto. Na maioria das vezes, o “olhar distante” não foi o estrangeiro, mas aquele mais conservador e antiquado dos próprios brasileiros.

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