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Arte brasileira

Ismael Nery – 100 Anos, a Poética de um Mito
Vida e obra do homem que se notabilizou por muitos talentos

Ligia Canongia

Divulgação

Raras vezes o Brasil conheceu um artista tão completo quanto Ismael Nery (1900–1934). Exímio pintor e desenhista, foi ainda poeta, arquiteto e cenógrafo, revelando-se um pensador importante, que chegou a criar uma teoria filosófica conhecida como “essencialismo”.

Verdadeiro dândi, refinado e elegante, Nery reunia em torno de si artistas e intelectuais ilustres, como o poeta Murilo Mendes, o pintor Guignard e o crítico Mário Pedrosa, atraídos pelo magnetismo de sua personalidade. Um dos precursores da arte moderna no Rio de Janeiro, Ismael Nery foi influenciado pelo cubismo e o surrealismo, mas a temática era uma só: a busca da identidade.

Divino e satânico, masculino e feminino, cindido e justaposto, esse era o ser misterioso que Nery revelava em suas imagens, fruto de suas próprias angústias pessoais e religiosas. A relação estreita que mantinha com sua esposa Adalgisa Nery e com o amigo Murilo Mendes, triângulo de forte comunhão intelectual, motivou interpretações difusas ao longo do tempo, que viam aí uma sublimação sexual. Mas Nery não foi apenas uma personalidade controvertida, um artista tumultuado e um católico fervoroso cheio de inquietações. Possuía a leveza e o prazer na vida que surgiam quando dançava. Chegou a ser convidado a integrar um grupo de dança profissional na Itália.

Tantos talentos, porém, incitaram Murilo Mendes a declarar que “o que o prejudicou, humanamente falando, foi o excesso de qualidades”. É o centenário desse homem apaixonado que será comemorado na exposição Ismael Nery – 100 Anos, A Poética de um Mito, no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio. Com curadoria de Denise Mattar, a mostra traz 150 obras, dentre óleos e desenhos, fotos e documentos cedidos pela família, e a leitura gravada de poemas de Ismael, Adalgisa e Murilo, feita pelos atores Christiane Torloni, Bruno Garcia e Murilo Rosa. A exposição cerca a vida e a obra de Ismael Nery, consideradas inseparáveis, e compõe o perfil de um dos maiores mitos de nossa cultura, morto precocemente de tuberculose aos 33 anos. “Ele sabia que os homens de sua linhagem morrem cedo, pois estão em avanço sobre os acontecimentos e a própria ordem do mundo”, disse mais tarde o amigo e poeta Murilo Mendes.

Divino e satânico

Até 6 de agosto – CCBB – Rua Primeiro de Março 66 – Rio de Janeiro

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