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Perfil
Mestre
Didi, o artista sacerdote
Paula
Alzugaray
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Divulgação
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Mestre
Didi: esculturas que falam de orixás
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Como escultor, escritor, ensaísta e curador, Deoscoredes M. dos
Santos, ou Mestre Didi, de 83 anos, é um representante da cultura
afro-brasileira. Como sumo sacerdote do culto aos ancestrais Egungun,
Didi é o interlocutor entre os vivos e os mortos. Se, por um lado,
sua arte é um feixe de luz sobre mitos e tradições ancestrais,
sua palavra permanece sob um invólucro de santidade. “Ele fez
um juramento que lhe privou de falar em público, fora do recinto
religioso. O seu dizer não pode ser deturpado”, explica sua esposa,
a antropóloga Juana Elbein dos Santos, designada sua porta-voz.
A sabedoria do baiano Mestre Didi é transmitida efetivamente via
uma extensa produção de esculturas – que lhe rendeu reconhecimento
internacional como um artista de vanguarda. Suas obras fazem parte
do acervo do Museu Picasso, em Paris, do MAM de Salvador e do
Rio de Janeiro, entre vários outros museus estrangeiros. Atualmente,
seu trabalho pode ser visto na Mostra do Redescobrimento
e em uma exposição individual na Galeria São Paulo. Suas formas
confeccionadas com contas, búzios, renda de couro e folhas de
palmeira são inspiradas em mitos, lendas e objetos de culto aos
orixás. Sua iniciação – à arte e à religião – se deu ainda menino,
aos oito anos.
Começou
fazendo entalhes em madeira, depois vieram os “exus” esculpidos
em cimento e barro. Aos 29 anos publicou o primeiro livro, Yorubá
Tal Qual se Fala – com prefácio de Jorge Amado e ilustrações
de Carybé. Outros 20 livros se seguiram, entre histórias de terreiros
e contos da tradição negra da Bahia. Mas Mestre Didi sempre julgou
a palavra escrita insuficiente na transmissão de conhecimentos.
“No começo dos anos 80 tivemos uma comunidade infantil onde Didi
escrevia e encenava peças de teatro, ensinava canto, dança, maquiagem.
Não existe dicotomia entre as artes”, diz Juana. “Todos os contos
afro-brasileiros são cânticos. Foram feitos para serem ouvidos,
cantados e dançados”, completa ela. É por isto que Mestre Didi
também é conhecido como um artista integral, “um renascentista
da cultura nagô”.
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