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Foco
Ciranda
multicultural
A
estrela das cirandas brilha em disco raro
O mangue beat – movimento encabeçado por Chico Science & Nação
Zumbi – chama atenção para o folclore pernambucano há sete anos.
Muito mais recente é a chance que alguns artistas prestigiados
regionalmente têm tido de gravar seus primeiros discos. A Ciranda
Records lança Eu Sou Lia, de Lia de Itamaracá (leia resenha),
e mais dois álbuns que esboçam a face multicultural de Pernambuco.
Cantando
com o Sol, do grupo Fethxa, traz cantos da tribo Fulniô, que
refletem o cruzamento entre as culturas africana e indígena. ...Não
Há Silêncio, do grupo Afoxé Oxum Panda, reúne sambas com o
toque hipnótico da percussão afro-brasileira e revela a bela voz
de Luciene Loyce. Esses são os primeiros lançamentos da Ciranda
Records, fundada há um ano por Iran Gomes, pernambucano que há
dez anos vive na Alemanha. Os discos, por enquanto, têm distribuição
regional, mas já têm destino certo: a Europa. “Queremos introduzir
Lia e os outros grupos no mercado internacional”, revela Iran,
que está na França para agendar shows e negociar a distribuição
dos CDs.
Quem
não tem selo, parte para a produção independente. Como Mestre
Salustiano, 54 anos, – que já deu aula de rabeca (instrumento
nordestino semelhante ao violino) para Chico Science e Antônio
Nóbrega. Seu primeiro disco, Ylê de Egbá, é um verdadeiro
catálogo para quem quer conhecer os ritmos nordestinos: tem maracatu,
cavalo marinho, coco, entre outros. (R.Z.)
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