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Conto
À
Sombra do Cipreste
Vencedor
do prêmio Jabuti 2000 exibe estimulante coleção
de contos
Antonio
Querino Neto
Sintéticos e densos, os contos do gaúcho Menalton Braff provam
que têm fôlego para se inserir na melhor tradição desse gênero
no Brasil. À Sombra do Cipreste (Palavra Mágica, 144 págs.,
R$ 20) traz 18 pequenas histórias que foram produzidas nos últimos
anos por esse professor residente em Serrana (interior de São
Paulo), vencedor do prêmio Jabuti 2000 e homem marcado por intensa
militância política no Rio Grande do Sul dos anos 60.
Captando
a crispação de vários instantes, a narrativa de Menalton exprime
em poucas palavras a febril intensidade daqueles momentos da existência
onde tudo se modifica ou define. Como o conto “Moça Debaixo da
Chuva: os Ínvios Caminhos”, que congela o ritmo de um amor impossível
durante uma chuva rápida numa dessas ruas “melancólicas e metalúrgicas”.
No
conto que dá título à obra, ele focaliza a sabedoria da velhice
que observa os jovens, detectando suas risadas, toda a essência
humana, “esse caldo grosso e corrosivo, quase nunca inocente”.
Um velório, um homem que espreita sua paixão e outro que ouve
constrangido o desespero de um amigo numa mesa de bar, estão entre
os flashes repletos de sentimentos entrevados, corações secos
e desespero pelas perdas, mas também de desejos que ainda pulsam.
O
conto “Crispação” é uma jóia ao sintetizar o cotidiano de um casal
cujo amor se converteu no vazio e nos dias perdidos e infinitos.
Já “Domingo” traduz a neurose de um pai de família em seu dia
de folga, num texto sem pontuação que corre como o fluxo de um
nervoso monólogo interior. Belas em sua brevidade, as histórias
do livro trazem sempre certo tom nostálgico de algo que poderia
ter se realizado mas não foi. Mais do que uma inquietante coleção
de contos esparsos, elas formam um conjunto temático bem coerente,
expondo uma visão acabada da vida.
Instantâneos
iluminados
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