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Brasil+500

Imagens do Inconsciente e Arte Popular
Duas mostras revelam qualidades primitivas da arte popular e das obras de internos psiquiátricos

Paula Alzugaray

Divulgação
Manto de Apresentação
ao Juízo Final, de Bispo

O sergipano Arthur Bispo do Rosário (1911 – 1989) foi fuzileiro naval, pugilista, funcionário da Light e porteiro de hotel antes de ser internado apresentando um quadro de “delírios místicos”. Nos dois hospitais onde viveu por 51 anos, transformou latas de óleo, talheres, sandálias, vassouras e todo tipo de objeto de uso cotidiano nas letras e frases que trascreveriam sua filosofia. Bispo teve sua obra reconhecida depois de morto e em 1995 representou o Brasil na Bienal de Veneza.

Após 23 anos de internação e mutismo, o torneiro mecânico Emygdio de Barros (1895 – 1986) começou a freqüentar a terapia ocupacional da dra. Nise da Silveira, no Hospital Psiquiátrico Pedro II, no Rio. Revelou tamanho talento e domínio da matéria que foi reconhecido em vida por críticos e artistas e considerado por Ferreira Gullar como “talvez o único gênio da pintura brasileira”. Bispo e Emygdio são dois destaques da mostra Imagens do Inconsciente, que reúne no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, trabalhos artísticos de onze internos de hospitais psiquiátricos.

A seleção das obras é de Nise da Silveira (1906 – 1999), a psiquiatra que fez frente ao eletrochoque, revelou talentos artísticos e fundou o pioneiro Museu de Imagens do Inconsciente. Mandalas (de Fernando Diniz), palácios geométricos (de Carlos Pertuis) e tantas outras paisagens imaginárias carregam, segundo a dra. Nise, “qualidades arcaicas e primitivas”. Carl G. Jung (o psiquiatra que trouxe à tona o poder dos mitos e arquétipos na psique humana) dizia que a arte dos esquizofrênicos são canais de “forças irracionais produtoras de símbolos que fluem pela história da humanidade”. Em outras palavras, formas de vazão ao que chamou de “inconsciente coletivo”.

Como os arquétipos ancestrais também são matéria de trabalho em diversos terrenos da cultura popular, a exposição Imagens do Inconsciente espelha-se sob diversos ângulos no módulo Arte Popular da Mostra do Redescobrimento. Afinidades surgem, por exemplo, dos estandartes e mantos cerimoniais de Bispo do Rosário com os objetos de festejos populares e religiosos ou mesmo com o preciosismo das roupas confeccionadas pelo bando de Lampião. Dividida em quatro grandes grupos pela curadoria de Emanoel Araújo (permanências, ancestralidade, arcaísmo e cangaço), a arte popular brasileira mostra toda sua fertilidade nas peças de culto, adereços festivos, figuras de barro, carrancas de barcos, esculturas de madeira e xilogravuras da literatura de cordel.

O poder do mito

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