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Comédia romântica

Sobrou pra você
Madonna volta ao cinema em história conformista

Alessandro Giannini

Divulgação
Rupert Everett e Madonna: pacto dentro e fora das telas

Demorou quatro anos o jejum cinematográfico de Madonna – seu último trabalho havia sido o musical Evita, de 1996. Nesse período de entressafra, a cantora mais popular dos anos 90 dedicou-se integralmente a Lola (apelido de sua filha Lourdes, 3 anos) e à música. Ela está de volta às telas na comédia romântica Sobrou pra Você, na qual trabalha ao lado do amigo pessoal Rupert Everett (O Marido Ideal), sob a direção do respeitado John Schlesinger (Perdidos na Noite). Não é exatamente uma grande reentrée.

Madonna faz o papel de Abbie, professora de ioga na faixa dos 30. Como muitas mulheres na sua idade, está ávida por um relacionamento estável, mas só consegue encontrar parceiros assustados com os menores sinais de estabilidade. Everett interpreta o melhor amigo de Abbie, Robert, um paisagista gay e de espírito livre. À sua maneira, o personagem também tem dificuldades de se relacionar. Seus parceiros são ocasionais e há o problema, sempre presente, da aids.

Apesar de terem opções sexuais diametralmente opostas, Abbie e Robert acabam encontrando conforto espiritual – e físico – um no outro. Dessa “escapadela” resulta uma gravidez e os dois parceiros de dor-de-cotovelo decidem levar a união adiante, mesmo que só aparentemente. O desastre iminente demora o tempo de Sam (o novato Malcolm Stumpf), filho do casal, tomar consciência do mundo. E as previsões se confirmam quando entra em cena o sedutor Ben (Benjamin Bratt), Don Juan novaiorquino cheio de boas intenções.

O filme tenta dar um tratamento humano e sem preconceito a um problema pouco convencional, o dos pais de opções sexuais distintas. Como tratar algo tão fora dos padrões de maneira normal, sem ser necessariamente agressivo, ofensivo e preconceituoso? A resposta está no desfecho da história, razoavelmente bem interpretada – graças, em grande parte, a Everett – e dirigida com correção por Schlesinger. Por mais que se tente fazer concessões, o padrão vigente sempre prevalece. E não há transgressão – Madonna diz estar cheia dela – que sustente argumentos em contrário.

Madonna adere ao sistema

© Copyright 1996/2000 Editora Três