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Separação

O conto do conde e da plebéia
Chiquinho Scarpa ganha litígio na Justiça contra a ex-mulher e quer se casar de novo. Carola vai recorrer e quer ser candidata a prefeita de SP

Alessandra Nalio

Piti Reali
“Não sou gay. Tenho 48 anos de carreira e não é uma mentirosa que vai abalar meu crédito’’ Chiquinho Scarpa

Na mansão dos Scarpa, no Jardim América, em São Paulo, o conde Francisco Scarpa Filho comemora a volta ao time dos solteiros. Melhor, Chiquinho Scarpa brinda a entrada na confraria dos separados. Mas espera que seja por pouco tempo. Ele se diz pronto para se casar novamente, até porque precisa procriar. Aos 48 anos, é o único filho homem no clã dos Scarpa e o responsável por perpetuar a linhagem. “Se eu não tiver um filho, não tenho para quem passar o título e o nome. Caso isso aconteça, a família acaba em mim”, explica. Terça-feira 9, Chiquinho ganhou o processo de separação litigiosa que movia contra Ana Carolina Rorato de Oliveira. Ex-marido da ex-Carola Scarpa, ficou um ano recluso, até que a separação se definisse. Segundo ele, por questão moral nem namorada arranjou. “Pelo menos em público. Pois não virei monge”, diz. Ainda não achou uma candidata a esposa, mas descarta possíveis dificuldades. Mesmo que seja recente o escândalo promovido no carnaval de 1999 pelas declarações de Carola, que foi à tevê chamá-lo de gay: “Não sou gay e nunca tive tendência. Tenho quase 50 anos de carreira e não é uma mentirosa que vai abalar meu crédito”.

Ana Carolina Rorato de Oliveira, 29 anos, perdeu o direito de usar o título de condessa e o sobrenome Scarpa. Carola diz que vai recorrer da decisão. “Não quero nada do Chiquinho, inclusive não uso esse sobrenome já faz muito tempo”, diz. “Mas vou recorrer por uma questão moral.” A seu pedido, sua advogada, Tatiana Sardinha Clemente, não detalhou os termos da apelação, que será entregue em 15 dias. A ex-condessa também sonha com uma nova união. Mas, sem namorado desde o fim do casamento com Chiquinho, diz não ter pressa. “Se Deus quiser, um dia aparece uma pessoa legal”, espera.

Se não aparecer, promete que se entregará à política. Depois de perder o título remanescente da monarquia, almeja um cargo na República. Carola se diz pré-candidata à prefeitura de São Paulo pelo PMDB. “Minha meta é política, trabalho 24 horas. Sou uma candidata nova e ousada”, diz. Sem saber se será aceita para representar a legenda, Carola já tem slogan: “Precisa ter coragem para mudar São Paulo”.

Marisa Cauduro
“Vou recorrer por questão moral. Não quero nada do Chiquinho. Minha meta é política” Carola Oliveira

Apoiada num visual mais sóbrio, nem parece aquela Carola Scarpa. Do tempo da condessa e socialite esfuziante, apenas os anéis, brincos e botões dourados. Vestida para fotos num terninho amarelo, completou o estilo candidata com uma echarpe verde e lilás. Carola quis ser fotografada na biblioteca de um hotel em São Paulo, e procurou sorrir com reservas e sem poses extravagantes. “Preciso cuidar da minha imagem”, disse ao ajeitar o cabelo. Nem o batom e as unhas postiças vermelhas que irritaram Chiquinho no dia do casamento ficaram na nova estampa. “Vou buscar votos dos que já não agüentam mais promessas. Tenho propostas muito interessantes e no tempo certo todos vão conhecer.”

Segundo Marco Antônio Fanucchi, advogado de Chiquinho, apesar de em princípio não querer, seu cliente poderia processar Carola por danos morais e crime contra a honra. E Carola pode ter sua tão sonhada candidatura impugnada. Interessada em apoio dentro do partido, ela se reuniu terça-feira 16 com lideranças municipais. “Carola quer ser a candidata do PMDB mas acho difícil que consiga, apesar de ter garra e força de vontade. Para mim, o candidato natural é Orestes Quércia”, declarou um deputado federal do PMDB, que não quis se identificar. Ter levado os motivos de sua separação a público e feito disso um escândalo, para Carola, não é motivo de preocupação. “Mostrei que sou pessoa de caráter, que não tenho medo de lutar contra o poder”, diz. “Tenho um passado limpérrimo pela minha inexperiência política.”

Para ela, que pediu R$ 100 mil de pensão alimentícia no início do processo, o casamento com o lendário playboy paulistano acabou lhe trazendo benefícios, ainda que tenha também que arcar com os honorários da causa que perdeu, estipulados em R$ 5 mil. “Descobri uma força interior dentro de mim que eu desconhecia. Aprendi muito com esse casamento”, diz. Chiquinho aprendeu que não tem a experiência com as mulheres que supunha ter. Arrependido assumido de um casamento que julgou uma burrada de apaixonado, espera ter mais sorte no próximo matrimônio. “Não tenho medo, acho muito difícil encontrar uma outra Carola por aí.” Às interessadas, foi dada a largada.

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