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Meio Ambiente

O homem que ameaça a Amazônia
O deputado paranaense Moacir Micheletto é agricultor de médio porte e autor da proposta de ampliar a área de desmatamento na floresta amazônica

Cláudia Carneiro

Felipe Barra
“Aticei a ira do Greenpeace porque eles estão a serviço do interesse internacional e querem vender a imagem de que não somos competentes para administrar a Amazônia”, reage Moacir Micheletto

O deputado Moacir Micheletto (PMDB-PR) era muito garoto quando foi advertido pelo pai agricultor que não deveria brincar com moto-serra, porque poderia ferir-se gravemente. Ele manteve-se sempre distante daquela máquina devastadora, mas sua proposta de alteração do Código Florestal, votada no dia 10 em comissão mista do Congresso Nacional, foi suficiente para estraçalhar boa parte da reputação construída em seis anos de vida pública em Brasília. Da noite para o dia, ele transformou-se no inimigo número um das florestas brasileiras.

Moacir Micheletto é relator da proposta que reduz de 80% para 50% o percentual de preservação ambiental obrigatória em propriedades situadas na floresta amazônica, e de 50% para 20% a mesma reserva legal na região do cerrado. Ao diminuir o tamanho da floresta preservada, Micheletto ingressou no grupo parlamentar dos “gigantes da floresta”. É assim que passaram a ser chamados no Congresso os líderes da poderosa bancada ruralista, representados pelos deputados Ronaldo Caiado (PFL-GO) e Abelardo Lupion (PFL-PR), por serem altos, ricos e latifundiários em pé-de-guerra com os ambientalistas.

Micheletto não ultrapassa a altura de 1,70 metro. Sua estatura média também pode ser diagnosticada como ruralista. O deputado é dono de uma fazenda de porte médio, com 70 hectares, no Paraná. Alega que o País depende da agricultura para sobreviver e por isso quer mais terras livres para plantio. Seu projeto atendeu ao desejo dos ruralistas de ampliar a exploração em terras protegidas pelas leis ambientais. Como também provocou a ira dos ambientalistas e a reação imediata do governo. “Nós vamos lutar para manter em 80% a área de reserva ambiental da floresta amazônica”, avisou o presidente Fernando Henrique Cardoso no programa de rádio matinal que faz às terças-feiras. “Não ponho esse projeto em votação enquanto não houver acordo”, advertiu a aliados o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA). “Não vou discutir meio ambiente enquanto 30 milhões de brasileiros passam fome”, reagiu Micheletto. “Entre uma árvore em pé e um irmão meu morrendo de fome, fico com meu irmão.”

O deputado passou a ter horror à sigla ONG, desde que as organizações ligadas ao meio ambiente, especialmente o Fundo Mundial para a Natureza (WWF), desencadearam uma reação violenta contra ele. Antes assustado, agora resolveu enfrentá-las. “Aticei a ira da WWF e do Greenpeace porque eles estão a serviço do interesse internacional e querem vender a imagem de que não somos competentes para administrar a Amazônia”, reage ele. “Não vou lamber as botas dessa gente e nem o Parlamento vai ficar de cócoras para essas ONGs”, ataca. As ONGs não sabem, mas o deputado encontrou uma maneira curiosa de proteger o meio ambiente ao mesmo tempo em que propõe ampliar o desmatamento. Ele apresentou, em outubro passado, uma emenda ao Plano Plurianual Orçamentário (PPA) do governo destinando R$ 12 milhões à implantação de dois parques ambientais no Centro Oeste e três no Sul, neste caso para atender à sua base eleitoral.

O paradoxo tem explicação. Moacir Micheletto é engenheiro agrônomo. Manteve a tradição familiar herdada dos avós italianos, plantadores de uva, e especializou-se em administração rural e extensão agrícola. Dá palestras técnicas em seu Estado e produz anualmente 2.800 sacas de soja, além de milho, trigo, café e 75 mil aves para abate. Como hobby, planta flores. Em Assis Chateaubriand, no Paraná, fez carreira como sindicalista e político. Há nove anos é vice-presidente da Federação da Agricultura do Paraná. Nunca mudou de partido. Mas, como político, não resistiu à tentação de ter sua própria emissora de rádio. Há mais de 10 anos fez sociedade em uma AM e outra FM na região.

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