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Requinte a tiracolo

A menina se transforma em mulher

“Daniella é uma jovem normal, nunca exigi que ela se casasse virgem. Sexo é um assunto dela e do Márcio, mas ela me conta tudo’’, Mara Lúcia Sarahyba

A top Juliana Galvão, hoje com 20 anos, acompanhou de perto a trajetória da adolescente. “Ela mudou muito desde que começou”, ressalta Juliana. “Ela era uma menininha e hoje está uma mulher, apesar da pouca idade”, comenta. Juliana dividiu muitas vezes quarto com Daniella nas viagens a trabalho. Uma das características da modelo é a dedicação. No desfile da grife Salinas durante a Semana Barrashopping de Estilo, em outubro de 1999, a modelo se aprontou cinco horas antes de entrar na passarela. Precisou esperar a tinta com que pintara seu corpo secar. “Ela teria que parecer uma boneca morena”, explica Juliana. “A Dani ficou parada, como se estivesse de castigo, para não estragar a maquiagem.”

A disciplina de Daniella Sarahyba, 15 anos, também é elogiada no Centro Educacional da Lagoa (CEL). Quando viaja a trabalho, leva apostilas para estudar e avisa quando vai faltar. “Muitas vezes, os professores antecipam a matéria para a aluna”, afirma a supervisora do ensino fundamental e médio do CEL, Cecília Horta. Daniella também tem acesso antes das outras alunas ao calendário de provas para se programar e evitar faltas neste período. Ela estudava pela manhã, das 7hs às 12h20. Acostumada com notas azuis desde a segunda série do ensino fundamental, quando entrou para o CEL, Daniella teve que fazer prova final de matemática, ano passado. “Ela brinca que não quer ser uma modelo analfabeta”, diz Cecília. Concluído o primeiro grau, no final de 1999, Daniella deve iniciar uma espécie de supletivo para cursar o segundo grau em dois anos. “Ela deveria voltar às aulas em agosto, ainda estamos decidindo se vamos para Paris ou se voltamos para o Brasil”, pondera Mara.

A vida aparentemente cor-de-rosa mudou de tom quando a modelo ainda era criança. Vítima de uma leptospirose fulminante, seu pai, o advogado Orlando Fernandes Neto, morreu quando ela tinha 10 anos (leia quadro). Além do golpe natural para uma garotinha, Daniella sofreu uma grande decepção com sua madrasta, Neide Silva. “Ela levou tudo que era dele, não respeitou seu testamento e até hoje brigamos na Justiça”, conta Daniella. Seus pais se separaram em 1992 e, segundo Mara, sua herança para os filhos está em litígio: a sociedade em um posto de gasolina e um terreno, em Blumenau, uma casa em Itapema e até mesmo 33% da sociedade que Fernandes Neto tinha na empresa carioca de consultoria Benefit. Foi na época em que o pai morreu que ela ganhou uma bolsa de estudos na academia Carlota Portella, onde estudou jazz e balé clássico dos nove aos treze anos. “A Mara disse que estava apertada e como a Dani sempre gostou muito de dançar, achamos que ela merecia a bolsa”, conta Teresa Mascott, uma das sócias da academia. Alice Vasques, professora de jazz de Daniella, conta que ela sempre foi uma aluna assídua e dançava muito bem. “Tinha tanto jeito que sempre dançava na frente das outras meninas nas coreografias que eu montava”, diz.

Sem o pai, seu irmão, Flávio Eduardo, três anos mais velho e hoje também modelo, tornou-se companheiro. Ele a acompanhava em vários programas. Nas festinhas da escola, Daniella sempre se destacava até porque era considerada a mais bonita da turma. “Quase todos os meninos eram apaixonados por ela, queriam namorá-la, mas a Dani sempre deu o fora em todos”, conta Ana Paula Correa, uma de suas melhores amigas. Numa festa junina, Daniella foi disputada por dois colegas de turma. “Os dois queriam dançar quadrilha com ela”, conta Ana Paula. “O que não dançou acabou chorando”. Quase ainda sem sair da infância, quando tinha 13 anos, Daniella quebrou outro coração. Encantou o apresentador Márcio Garcia, com quem está namorando há um ano e oito meses. Daniella despertou a curiosidade das amigas quando a relação começou. “Todo mundo queria saber sobre ele e ela, com a maior paciência, respondia a todas e não tinha ciúmes de quem achava ele o máximo”, diz Ana Paula. Ciúme, no entanto, é um defeito assumido por Daniella. “Eu morro de ciúme dele e ele de mim”, diz bem-humorada. Na relação com o ator, a menina também virou mulher. “Daniella é uma jovem normal, nunca exigi nada dela e acho que sexo é um assunto deles. Mas ela me conta tudo”, diz a mãe. Em todo esse período de relacionamento, tiveram apenas uma briga “que durou dois dias”, garante ela. Como todo casal, tratam-se por apelidos. O dele: “Fofinho”. O dela: “Feia”. Coisas do amor.

Eliana Garcia, 53 anos, mãe do ator, é fã da nora estrela. “Ela é doce, meiga, um amorzinho. Márcio tirou a sorte grande ao encontrá-la”, diz Eliana, que costuma ser chamada de sogrinha pela modelo. “No início a achei muito novinha mas depois percebi que ela é bem madura para a idade”, afirma. “E o Márcio só tem 30 anos no papel porque ele é bem garotão”, comenta Eliana. Márcio, que passou dez dias em Barcelona, deixou a Espanha na quarta-feira 17. O ator, empresário e galã volta sabendo que lá ficou não a menina Daniella que um dia conheceu, mas uma mulher, profissional e com brilho próprio que se permite hoje até brincar sem pudores, às gargalhadas, mas com carinho, com a figura onipresente de sua mãe: “Ela é perua, vive enfeitada. Eu não. Eu sou arrumadinha”. Mara está mesmo muito bem arrumada. Colaboraram Gustavo Maia e Paula Quental, de São Paulo

Brilho internacional

Daniella fez seu primeiro trabalho fora do Brasil aos 13 anos. Foi em Munique, na Alemanha, quando passou dois meses morando fora. A campanha era de lançamento de um carro da Peugeot. Sua segunda temporada foi em Miami, onde passou um mês e 15 dias e participou de uma campanha da Jaguar. Quando completou 15 anos estava em Milão, onde ficou 50 dias e fez fotos com Oliviero Toscani para o catálogo 2000 da grife italiana Benetton, numa campanha intitulada Under Collor.

“Tchau, florzinha”

“Perdi meu pai aos 10 anos. Foi a maior dor que já senti. Ele dizia que tudo o que trabalhou na vida seria para meu irmão e eu. Quando morreu, a mulher que vivia com ele levou tudo da casa, todas as lembranças e o que ele nos deixou de bens. Estamos na Justiça. A última imagem que tenho dele, eu estava olhando da porta, porque não me deixavam entrar no quarto. Ele me olhou e disse: ‘Tchau, florzinha’. Morreu naquele dia.”

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