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Made in Polônia
Nova aposta do mundo fashion inglês, o irreverente e bem humorado polonês Arkadius estudou pedagogia e veio ao Brasil desfilar uma coleção inspirada em quadro de artista brasileira

Paula Alzugaray*

Rogério Albuquerque
Luxo e glamour: 25 mil cristais foram costurados à mão nas peças da coleção outono- inverno 2000

Em meio às corriqueiras especulações sobre a vida pessoal de ministros, um segredo tem intrigado a imprensa britânica (e não apenas a sensacionalista). Quem seria o mecenas por trás do jovem estilista polonês Arkadius Weremczuk, de 30 anos – o nome mais badalado da moda inglesa atual? Entre as apostas mais altas estaria o próprio príncipe Charles. Razões para tanto não faltam. Afinal, Arkadius chegou em Londres em 1994, contando apenas com as economias que levantou na Itália trabalhando como ajudante de cozinha. Hoje ele vende peças de alfaiataria para membros da família real e da alta sociedade londrina. “Meus patrocinadores são pessoas que acreditaram no meu talento. Mas há quem não goste do fato de um polonês ser o nome mais quente da moda britânica hoje”, diz o estilista, que esteve em São Paulo para desfilar sua coleção outono-inverno 2000 na abertura do 4º Cultura Inglesa Festival.

Recém-formado em estilismo pela conceituada St Martins School of Arts, de Londres, Arkadius foi automaticamente admitido no circuito de alta costura profissional. Estreou na London Fashion Week em setembro do ano passado e foi aclamado pela crítica especializada como o “nascimento de um novo milênio da moda”. Sua segunda coleção “A Rainha de Sabá”, apresentada em fevereiro último, em Londres, foi inspirada num quadro na artista plástica brasileira Ana Maria Pacheco, residente há 26 anos em Londres. “Um mês depois, recebi o convite para fazer o desfile aqui. Foi coisa do destino”, diz Arkadius declarando-se “absolutamente fascinado pela comida, as frutas, as pessoas e o clima do Brasil”. A simpatia foi recíproca. “Falta glamour na noite brasileira. Algo que o Arkadius faz muito bem”, disse a estilista Glória Coelho, da griffe G.

A rápida ascensão ao sucesso foi tão marcante para o jovem estilista que nos agradecimentos finais do desfile em Londres, apareceu encapuzado, trazendo na mão uma réplica perfeita da própria cabeça. O gesto, uma paródia à rainha de Sabá – que decepou a cabeça do rei Salomão –, também faz referência aos perigos da fama. “Há sempre gente esperando você cair para pegar o teu lugar. Temos que manter os olhos bem abertos. A vida é dos mais fortes”, diz ele. Criado em Parczew, pequena cidade do interior da Polônia oriental, Arkadius chegou a cursar durante quatro anos a faculdade de pedagogia, mas mudou de idéia depois de fazer sua primeira viagem ao exterior. “Há o tempo certo para tudo na vida. Isso é fundamental para o progresso saudável do cérebro. Conheci as grandes cidades quando minha cabeça já estava madura para apreciar Verdi e John Galliano”, diz ele. Os pais, professores que ganhavam US$ 30 por mês e queriam a mesma profissão para os três filhos, a princípio não apoiaram a escolha de Arkadius pela moda.

“Tive uma infância maravilhosa em contato com a natureza, mas nunca fui exposto à arte e à cultura, muito menos à moda. A roupa que se fazia na Polônia eram uniformes comunistas. Tive que sair de lá”, diz ele. Durante seus estudos em Londres, teve o talento logo reconhecido e chegou a trabalhar durante três meses com o mais vanguardista dos estilistas ingleses, Alexander McQueen. “Com ele, aprendi a encarar a moda da maneira mais corajosa possível e como é importante ser artisticamente criativo sem me preocupar se as pessoas vão gostar ou não”, diz ele.


* Colaborou: Marcelo Zanini

© Copyright 1996/2000 Editora Três