Ricardo Bravo
O Carteiro e o Poeta podia ter sido seu

No início de 1991 o diretor Ricardo Bravo, 46 anos, leu o livro Ardente Paciência, do chileno Antonio Skármeta, depois adaptado para o cinema como O Carteiro e o Poeta. Apaixonado pela estória, conseguiu os direitos autorais por seis meses para transformá-lo em filme. Mas faltou dinheiro. Por isso, não conseguiu convencer produtores e acabou perdendo os direitos para o diretor Michael Radford. Em compensação, ganhou a amizade do ator Anthony Quinn, protagonista do seu primeiro longa, Oriundi, que estréia em junho. Assim que leu Ardente Paciência, Ricardo pensou em Quinn para o papel do poeta Pablo Neruda e, na época, sem conseguir contato direto com o ator, convenceu a então assistente e atual mulher de Quinn, Katherine, a ler o livro. Dias depois, Ricardo ligou para o escritório do ator e o próprio o atendeu. Entusiasmado, disse que faria o papel. “Tomei banho e coloquei uma roupa limpa para falar com ele ao telefone”, lembra Ricardo. Meses depois contou para Quinn, aos prantos, que perdera os direitos do livro. Só em 1998 realizou o sonho de trabalhar com o ator. “Fiz Phd em cinema com o Quinn”, diz. “É impressionante, ele tem noção de tudo num set. Sabe até quem está comendo quem dentro da equipe.” Ricardo pisou num set pela primeira vez aos 11 anos numa ponta no filme Na Mira do Assassino, com Agildo Ribeiro. Aos 17, viu Romeu e Julieta 25 vezes e quis ser cineasta. Para viabilizar seus filmes, já vendeu dois carros.Teve ajuda de amigos, como José Roberto Marinho, que lhe deu U$ 10 mil para terminar um curta. Convenceu o pai, o empresário Luís Carlos Bravo, a tornar-se co-produtor de Oriundi, orçado em US$ 5,5 milhões.

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