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Ópera

II Guarany
Canto e cenografia são os pontos altos da nova montagem da obra de Carlos Gomes

Neuza Sanches

Divulgação
Os cantores Antônio Lotti e Lucia Mazzaria na montagem brasileira: saldo positivo

Il Guarany é a mais famosa ópera de Antônio Carlos Gomes. Inspirada no romance de José de Alencar, a obra que estreou em 1870 no Scala de Milão, na Itália, ganha nova montagem brasileira, sob direção cênica de José Possi Neto. São seis récitas, cinco delas protagonizadas pelo tenor paulista Antônio Lotti, como Peri, chefe dos Guaranis, e pela soprano italiana Lucia Mazzaria, na pele de Cecília, com revezamento do paulista Marcello Vannucci e da carioca Rosana Lamosa. Completam o elenco mais sete cantores, os bailarinos do Cisne Negro, o Coral Lírico e a Sinfônica Municipal de São Paulo, conduzida por Isaac Karabtchevsky.

As três horas de duração do espetáculo passam desapercebidas mesmo para quem não é aficionado por dramas contados por sopranos e tenores. A começar pela criatividade cenográfica bem elaborada de Felipe Crescenti. Ele conseguiu dar praticidade e modernidade na movimentação de cena, sem prejudicar o bucolismo que a história exige. O figurino, de Fábio Namatame, reza pelo mesmo terço. É bem elaborado e não chega a incomodar a aparição dos índios vestidos com plumas e acessórios para tapar o sexo, como no caso de Peri.

A música é um capítulo à parte. A soprano Mazzaria dá um show solo capaz de mexer com as emoções do mais hermético dos cidadãos que se aventura a assistir ao romance cantarolado entre um índio e uma jovem na época do Descobrimento do Brasil. Sensação semelhante é despertada por Maurício Luz, na pele do Cacique. Com razão ele abocanhou o prêmio “Relevação Lírica”, em 1994. Mas a Orquestra Municipal de São Paulo não chega a empolgar, mesmo sob a batuta do consagrado Karabtchevsky. O som pueril da orquestra é compensado, porém, pelos cantores e pelo coral.

O balé dos índios é outro momento capenga da apresentação. As acrobacias circenses dos nativos ficam deslocadas em alguns atos. A dança, porém, conquista seu lugar ao sol com a performance, por exemplo, das mucamas de Ceci. Descontados os percalços da empreitada, Il Guarany tem saldo positivo. Mesmo para os paladares mais aprimorados.


Até dia 23 - Teatro Alfa Real – Rua Bento Branco de Andrade Filho 722 - São Paulo

 

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