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Nação Nordestina
Em vigoroso álbum duplo Zé Ramalho canta sua terra

Aluizio Falcão

Divulgação

O CD duplo Nação Nordestina, de Zé Ramalho, é trabalho vigoroso e com uma temática bem definida. Mas há deslizes, como o de misturar a canção datada “Pra Não Dizer que Não Falei das Flores” (1968) com outras, de maior atualidade, igualmente focadas na realidade brasileira.

Ainda bem que, no conjunto do repertório, não há o predomínio do panfleto sobre a arte. De modo geral, torna-se apenas mais evidente a abordagem social já existente, por exemplo, no sucesso “Admirável Gado Novo”. O que prevalece, como referência principal, é a paixão do compositor pelo Nordeste, sua “nação” de origem. A contundência das letras contrasta com a leveza quase inteiramente acústica dos arranjos e delicadas intervenções percussivas substituindo a bateria. Entre os músicos participantes há figuras do porte de Naná Vasconcellos, Dominguinhos e Hermeto Paschoal, mas a melhor presença é a de Robertinho de Recife assinando arranjos e tocando cavaquinho, cítara, guitarra, charango ou berimbau de bacia.

No disco 1, em “Mourão Voltado em Questões”, Zé Ramalho volta a demonstrar a influência da poesia improvisada dos cantadores. O uso de formatos derivados da matriz violeira tem sido recorrente em seus discos, principalmente depois que musicou, na década de 80, os decassílabos de Otacílio Batista no martelo “Mulher Nova, Bonita e Carinhosa”.

No disco 2, isso volta a acontecer na faixa “Esses Discos Voadores me Preocupam Demais” (Oliveira de Panelas) que Zé Ramalho reconstitui com maestria. Outros destaques: o instrumental “Violando com Hermeto” e “Garrote Ferido”. Ao canto agreste e expressivo de Ramalho somam-se, em vários momentos, as vozes também nordestinas dos convidados Fagner, Elba, Ivete Sangalo, grupo Cascabulho e Flávio José. As músicas deste álbum de idéias traçam um mapa sonoro do Nordeste e até mesmo da crise social brasileira.

Faz pensar

 

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