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Biografia

Viagem à Semente
Fatos da vida de García Márquez são a origem de sua
literatura fantástica

Francisco Viana

Divulgação

Em 1939, um garoto magro, tímido e solitário, que tinha o hábito de ler as Mil e Uma Noites, foi violentado por uma prostituta num lupanar da cidade de Sucre, florescente centro açucareiro colombiano. Ele se chamava Gabriel García Márquez, estava com 12 anos e, inocente, queria apenas entregar uma encomenda enviada pelo seu pai quando uma mulher lhe abriu a porta, o conduziu para um quarto e fez, à força, a sua iniciação sexual. Quase três décadas mais tarde, em outubro de 1966, o mesmo Gabriel García Márquez, então vivendo na cidade do México, se viu obrigado a vender utensílios domésticos para amealhar 82 pesos e, assim, poder enviar pelos correios ao seu editor, na Argentina, os originais do imortal Cem Anos de Solidão.

O jornalista colombiano Dasso Saldívar levou 20 anos colecionando histórias como estas para compor a colossal biografia de Gabriel García Márquez, Viagem à Semente (Record, 504 págs., R$ 52). Nascido na liliputiana Arataca caribenha, Gabo, como o futuro Prêmio Nobel de Literatura (1982) viria a ser carinhosamente apelidado, só conheceu o pai aos sete anos de idade e era tido por ele como um “mentiroso” por cultivar fantasias. Cresceu ouvindo o avô Nicolás Márquez contar histórias de guerras civis, enquanto a avó Tranquilina Cotes falava de uma mitologia muito pessoal, pontilhada de maus presságios.

A genialidade de García Márquez, a sua invulgar experiência como jornalista e o seu engajamento político de esquerda acrescentam às histórias um novo pano de fundo. Foi assim que as experiências que se sucederam desde os tempos de garoto -- quando ele, sem entender o que acontecia na penumbra do lupanar pensou com “certeza absoluta” que iria morrer -- acabaram por se transformar numa metáfora perfeita da “irrealidade da América Latina”. Ou, na visão de Saldívar, uma viagem por um mundo onde o real e o irreal fazem parte de um mesmo, e indivisível, território.

Histórias no limiar da ficção

 

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