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Procópio e Boal: vidas sobre o palco

Eudinyr Fraga

Divulgação

Dois homens de teatro. Procópio: ator e, ocasionalmente, diretor. Boal: dramaturgo, teórico, professor e até político (foi vereador no Rio de Janeiro). As duas personalidades, de gerações e posicionamentos diferentes perante o teatro, estão em duas publicações recém-lançadas. Não chegam a ser exatamente autobiografias. Os fatos da vida perpassam ligeiramente, sobretudo em Procópio Ferreira Apresenta Procópio (Rocco, 416 págs., R$ 35). Augusto Boal define seu Hamlet ou o Filho do Padeiro (Record, 348 págs., R$ 35) como “memórias imaginadas”, já que o passado, retomado em forma oral ou escrita, adquire uma coerência que a vida dificilmente apresenta.

Qualquer esforço autobiográfico envolve sempre vaidade, senão auto-suficiência — no caso de Procópio..., plenamente assumida. O leitor precisa procurar nas entrelinhas as peças que faltam, o que não foi dito. O estilo de Procópio é pomposo: o café é “uma preciosa rubiácea”, o amor, “uma enevoada candura de espírito”. Tudo temperado com ironia, ressentimento e humor. Como quando comenta que Paschoal Segreto (empresário de companhias de teatro de revista) só contratava coristas feias para dar segurança às famílias que freqüentavam seu teatro.

A prosa de Boal é divertida, mordaz, assumindo muitas vezes a feição de indignado depoimento contra a ditadura de 1964. Esta é, talvez, a melhor parte, pela sinceridade e a justa paixão. Pena que a mesma ironia não se exerça sobre assuntos que lhe parecem “sagrados”: soa uma ingenuidade classificar de “fantástico” um discurso de Fidel Castro, de sete horas de duração, em praça pública.

Para Procópio, a finalidade do teatro é agradar o público. Bastaria sua presença no palco, seu carisma, sem maiores preocupações com a qualidade do texto ou da produção. Boal considera, como obrigação do teatro, não só conscientizar o público, mas provocá-lo até que possa também colaborar no espetáculo. O estilo de Boal de início soa artificioso. Torna-se mais fluente a partir da sua colaboração no teatro de Arena, que propunha uma dramaturgia e uma forma de representar “brasileiras”.

 

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