CAPA
 ÍNDICE
 BASTIDORES
 ENTREVISTA
 URGENTE
 QUEM SOU EU?
 IMAGENS DA  SEMANA
 DIVERSÃO & ARTE
 MODA
 AGITO
 LUA DE MEL
 ACONTECEU
 TRIBUTO
 CELEBRIDADE
 TESTEMUNHAS DO  SÉCULO 
 EXCLUSIVAS
 INTERNET
 CLICK 
 BUSCA
 ASSINE O BOLETIM
 EDIÇÕES ANTERIORES
 ASSINATURAS
 FALE CONOSCO
 EXPEDIENTE
 PUBLICIDADE

 Cinema
Gladiador
Russell Crowe
Livre para voar
Através da Janela
Bilheteria
Exposição
Negro: uma raça e muitas vozes
Livros
Viagem à semente
Procópio e Boal: vidas sobre o palco
Best-seller
Città di Roma
Música
Memórias, Crônicas e Declarações de Amor
Nação Nordestina
Zé Ramalho
Bloco Vomit faz samba punk
Hits
Teatro
Il Guarany
Televisão
Retrato Falado
O prêmio dos contrastes
Eliana e Alegria
Cássio Scapin
Fique de olho
No Ibope
Charlote Pink

Memórias

Città di Roma
Zélia Gattai recorda o passado com muito humor e sentimentalismo

Antonio Querino Neto

Divulgação
Zélia Gattai: engraçada e
intimista para falar da família

Num despretensioso e lírico passeio biográfico, com o livro Città di Roma (Record, 176 págs., R$ 22), Zélia Gattai retorna à saga de sua própria família. São inúmeros casos breves, contados com a leveza da autora de Anarquistas Graças a Deus e A Casa do Rio Vermelho, que englobam grande parte da história brasileira, abrangendo desde a queda da monarquia (no final do século 19) até o Estado Novo. Città di Roma era o nome do navio que conduziu da Itália as famílias Gattai e Da Col, seus antepassados, numa penosa jornada para a vida nova no Brasil. Nele, viajaram os anarquistas que fundariam a “Colônia Cecília” em terras doadas por Dom Pedro II. Seu avô Gattai era um deles e aqui se estabeleceu ao lado da paciente esposa Argia.

A prodigiosa memória de Zélia (hoje com 83 anos) detém-se em muitas curiosidades: as famílias de seus pais – Ernesto e Angelina – viajaram no mesmo navio mas só vieram a se conhecer depois, e ambas tiveram uma das filhas morta em decorrência da jornada. Diferenças também havia: os Gattai eram toscanos e anarquistas, os Da Col vênetos e católicos. Essa alegre mistura gerou Zélia, a irmã caçula que, morando na alameda Santos (São Paulo) iluminada por lampiões a gás, ouvia nos serões a odisséia da própria família, narrada pela mãe e pelo tio Gerrando. Lá também, ela vai aos primeiros bailes, tem as primeiras aulas de piano e assiste ao casamento das irmãs. É com orgulho que descreve o pai Ernesto, que lidava com conserto e comércio de automóveis. Homem culto e engajado sem ser sectário, morre aos 54 anos após sofrer na prisão as atrocidades da ditadura getulista.

Mas o leitor não deve esperar uma versão literária da grandiosidade na linha da novela Terra Nostra. Zélia é sempre intimista e às vezes até anedótica. Entre seus episódios cômicos, está a história de um tio e sua namorada que recebe o espírito da avó. Zélia duvida para sempre do espiritismo ao ouvir o inconfundível sotaque cabloco da “médium” em lugar da elegante fala veneziana da nonna. Saborosas em sua simplicidade, essas histórias de Zélia preservam aromas e cores do passado que são tão frágeis quanto duradouros.

Passado saboroso

 

 

© Copyright 1996/2000 Editora Três