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Negro: uma raça e muitas vozes
Duas ótimas exposições são dedicadas à herança cultural africana


Rafael Vogt Maia Rosa

Divulgação
Iemanjá: escultura em madeira realizada por autor anônimo está na mostra “Negro de Corpo e Alma”

A presença africana na cultura brasileira é apresentada em duas seções da Mostra do Redescobrimento, em São Paulo: “Negro de Corpo e Alma” e “Arte Afro-Brasileira”. Na primeira, nota-se a marca do curador Emanoel Araújo (artista plástico e também diretor da Pinacoteca de São Paulo). Araújo opta por uma abordagem que perpassa desde a visão exótica do europeu – de maneira crítica –, até as expressões contemporâneas relacionadas à cultura negra – na ótica tanto de artistas de origem africana, quanto de outros aparentemente distantes, como o italiano radicado no Brasil Alfredo Volpi. A exposição traça um percurso claro e ilustrativo, inclusive com documentos históricos, como a Lei Áurea original e cartas de alforria, que estendem o debate para o problema da discriminação racial. Há também uma rica galeria fotográfica que inclui até mesmo o polêmico Robert Mapplethorpe, mas cujo maior destaque fica por conta da instalação “Exu”, de Mario Cravo Neto, que leva ao extremo a dupla face do negro brasileiro: poeticidade e opressão histórica.

No módulo “Arte Afro-brasileira”, a abordagem parece mais antropológica. Em uma vitrine central há uma mostra de obras de coleções européias, organizada pelo curador François Neyt: utensílios, máscaras e estatuetas de vodu do Golfo de Benin, Angola e Congo – regiões onde foram capturados os escravos trazidos ao Brasil. Objetos excepcionais, de fazer um Picasso querer renovar a Arte Moderna.

Ao redor do conjunto – que efetivamente inspirou as grandes revoluções artísticas do princípio do século 20 –, estão artistas brasileiros de filiação africana. Alguns, abstratos, como Niobe Xandó, Rubem Valentim e a jovem Rosana Paulino. Outros, explicitamente devotos à raiz afro como Agnaldo dos Santos e Mestre Didi. São supreendentes também as telas de Pedro Paulo Leal (1894-1968), que foi além da própria “negritude” para chegar a imagens proféticas da sociedade carioca. Em sua Baía da Guanabara, transatlânticos afundam e paira uma atmosfera pesada de crime e guerra civil. Um contraste flagrante com a placidez das paisagens de Franz Post no módulo “Olhar Distante”.

Por fim, a divisão em dois módulos escancara uma polifonia de vozes e revela a multiplicidade da herança e expressão da africanidade no Brasil.

África onipresente

 

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