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Drama

Através da Janela
Tata Amaral atualiza e amplia o conceito de tragédia grega

Alessandro Giannini

Divulgação
Laura e Araújo: a solidão e o amor incondicional

Com apenas dois longas-metragens no currículo, Tata Amaral está hoje entre os poucos cineastas brasileiros da nova geração que carregam uma obra sólida e coesa. O filme de estréia, Um Céu de Estrelas, rodado com pouco mais de R$ 300 mil, acompanhava a tragédia particular de um casal da periferia sob a ótica da mulher. Sem abandonar o foco feminino, Através da Janela conta, também em ritmo de tragédia, a história de uma viúva solitária e seu filho adolescente.

São cinco dias em que Selma (Laura Cardoso), dedicada exclusivamente à rotina familiar, assiste seu pequeno castelo ruir aos poucos. O agente dessa destruição é seu filho Raí (Fransérgio Araújo), um jovem aparentemente amoroso e tranqüilo que se revela alienado, mimado e manipulador.

O olhar da câmera é o olhar de Selma. Tudo se passa diante de suas vistas. Ela não percebe o que está para acontecer porque o seu amor de mãe a cega. A indicação não está apenas nas ações dos personagens, mas em transformações crescentes no enquadramento dos planos e no som.

Laura Cardoso e Fransérgio Araújo têm uma diferença de potencial evidente. É Laura quem carrega o filme do início ao fim. Embora faça seu papel corretamente e entre no clima, Araújo dificilmente consegue acompanhá-la. Não chega a ser um grande problema. A chave de compreensão da obra de Tata Amaral é, mais uma vez, a tragédia. Sua intenção é dar uma dimensão contemporânea ao gênero clássico, que os gregos reservavam aos personagens heróicos e divinos. Ao colocar pessoas comuns e simples como protagonistas de suas tramas, a diretora atualiza e amplia um conceito que ganhou sentido diferente ao longo do tempo. Não é pouco para quem está apenas começando.

Uma tragédia, no melhor sentido do termo

 

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