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Literatura
Papo
com a garotada
Tatiana
Belinky virou escritora infanto-juvenil aos 66 anos,
depois de ser roteirista e tradutora de russo
Fábio
Bittencourt
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Julio
Vilela
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“Trabalhei
muito e vou continuar em atividade”, garante a
escritora Tatiana Belinky
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Há 15 anos, Tatiana Belinky recebeu convite de uma editora
interessada em criar série de livros infantis. De uma
só vez, a escritora puxou da gaveta cinco histórias
datilografadas em sua máquina de escrever portátil da
marca Olympia. “Achei que pudesse aproveitar algumas
histórias que havia criado”, conta. Desde essa época,
ela não parou mais de contar histórias para a garotada.
Em menos de quinze anos, coleciona uma centena de livros
infanto-juvenis. Na Bienal Internacional do Livro, encerrada
no domingo 7, em São Paulo, foram três lançamentos:
Diversidade, Estorinha de Caçador e
Desatreliques. Até o final do ano prepara mais quatro
obras. “Os livros infantis são curtos”, diz Tatiana.
“No meu tempo, eles tinham de 250 a 300 páginas.”
A
escritora não está no ramo por acaso. Nos primórdios
da tevê brasileira, em 1951, Tatiana fazia adaptações
de clássicos da literatura como O Sítio do Pica Pau
Amarelo, de Monteiro Lobato. Também era a responsável
por textos do Teatro da Juventude, na extinta
TV Tupi. Na época em que escreveu a média de quatro
histórias por semana, encontrava tempo para críticas
de teatro e literatura em jornais e traduzia obras do
russo, sua língua natal, para o português. “Vou continuar
em atividade”, garante, aos 81 anos.
Tatiana
nasceu em São Petersburgo, na Rússia, em 1919. Dez anos
mais tarde, mudou-se para São Paulo. “A meninada da
rua dava risada de nossas roupas e do jeito que falávamos”,
recorda. Com 21 anos, casou-se com o médico Júlio Gouveia,
com quem teve dois filhos. Hoje, contabiliza cinco netos
e três bisnetos em sua família. A escritora gosta do
que faz e conta com prazer as histórias com a garotada.
Outro dia, foi abordada por um menino que queria um
autógrafo, mas não tinha nenhum de seus livros nas mãos.
“Escreve num papel que chegando em casa eu copio”, disse
o garoto.
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