CAPA
 ÍNDICE
 BASTIDORES
 ENTREVISTA
 URGENTE
 QUEM SOU EU?
 IMAGENS DA  SEMANA
 DIVERSÃO & ARTE
 MODA
 AGITO
 LUA DE MEL
 ACONTECEU
 TRIBUTO
 CELEBRIDADE
 TESTEMUNHAS DO  SÉCULO 
 EXCLUSIVAS
 CLICK 

 BUSCA

 ASSINE O BOLETIM
 EDIÇÕES ANTERIORES
 ASSINATURAS
 FALE CONOSCO
 EXPEDIENTE
 PUBLICIDADE

 

  DINHEIRO PLANETA ISTOÉ
 
 

 

Memória

O diário de Sandra Brea
Filho adotivo da atriz encontra manuscritos que relatam a dor de seus últimos meses de vida, e diz que a pedido dela, criará fundação para reunir suas fotos e figurinos dos anos 70 e 80

Rosângela Honor

Com beijo de batom
No roteiro de gravação, Sandra agradece a Lauro César Muniz a participação em Zazá: “Lauro, você quis, aqui estou e espero que tenhas gostado, e quando um Rei chama não podemos deixar de atender, com todo amor. Agradeço sim, pois trouxe-me muita alegria estar aqui com meu povo, e isso agradeço a você. Sou e serei sempre aquela que você escolheu. Um beijo no seu coração. O tenhas é porque sei que estavas viajando. Feliz 1998, pois meu 1997 foi mais feliz com esse seu presente!”

Todas as manhãs, Sandra Bréa sentava-se diante do espelho e cumpria uma rotina. Penteava os cabelos, se maquiava e se vestia com a mesma vaidade do auge de sua carreira. “Eu sou uma estrela”, dizia aos amigos. Até os últimos dias de vida, não deixou de se comportar como a mulher estonteante que foi mito sexual nos anos 70 e 80. No isolamento em que se encontrava desde que descobriu ter aids, em 1993, fazia isso para não se entregar à depressão. Outra arma era escrever. Quatro dias após a sua morte, seu filho adotivo, Alexandre Bréa Britto, 21 anos, encontrou um diário escrito de maneira desordenada pela mãe.

Manuscritos estavam em folhas soltas e amassadas sob o colchão, nos armários e nas mesinhas de cabeceira do quarto da atriz, que na quinta-feira 11, faria 48 anos. São desabafos (leia trechos ao lado), em sua maioria, dos últimos meses de vida, quando foi tomada pelas dores do câncer de pulmão que provocou sua morte, na manhã do dia 4, em sua casa, em Jacarepaguá, zona oeste do Rio. “Vou tentar reunir todo o diário e avaliar o que fazer”, diz o filho.

Alexandre quer realizar o último desejo de sua mãe. Dias antes de sua morte, ela conversou com o filho por telefone. Primeiro, pediu que queimasse suas fotos e recortes de revistas assim que ela morresse. Em um dia, voltou atrás. Pediu que criasse a Fundação Sandra Bréa. Ele está debruçado sobre revistas, fotos, quadros, figurinos usados em novelas e programas de tevê. “Quero inaugurar este espaço até o fim do ano”, sonha ele, que doará roupas pessoais da atriz ao Retiro dos Artistas, no Rio.

Alexandre nega a versão de amigos e empregados da atriz de que estaria brigado com ela. “Eu a visitava sempre que ela permitia”, diz ele, que se mudou para a casa da atriz. “Ela nem tocava no nome dele”, rebate o caseiro, José Carlos Costa. O empregado confirma que a atriz tinha um diário. “Ela passava os dias escrevendo sem parar.” Costa relata que nas últimas semanas, a atriz tinha medo de se levantar sozinha da cama. “Você acha que eu mereço sofrer tanto?”, perguntava. Dois dias antes de morrer, deu a ele uma tela pintada de seu rosto. “Guarda como se fosse um presente de mãe”, disse.

Próximo >>

 


Copyright 1996/2000 Editora Três