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Geração Z
Quem são os talentos televisivos e musicais nascidos da peça Cazas de Cazuza, que inicia turnê nacional

Gabriela Mellão

Beto Tchernobilsky
O time que fez do palco uma vitrine: (em sentido horário) Fernando, Vanessa, Débora, Bukassa, Jay, o diretor Rodrigo, o diretor musical Daniel e Lulo

Foi preciso ousadia para imaginar um futuro promissor para um espetáculo dirigido por dois jovens de 22 anos, ensaiado numa garagem, com um elenco de estreantes e sem patrocínio. Mas o que parecia brincadeira logo se transformou num trampolim para o estrelato. Do elenco de 15 atores do musical Cazas de Cazuza, três estão lançando discos, dois foram requisitados pela Rede Globo e um está dirigindo espetáculo próprio.

Quem pulou mais alto, até agora, foi a artista plástica Vanessa Gerbelli, 26 anos. Depois de ser vista pelo produtor de elenco da novela O Cravo e a Rosa – que deve estrear em julho, na Rede Globo – foi convidada para viver uma cantora de cabaré. Fez o teste e levou um papel ainda melhor, será a amante de Eduardo Moscovis, protagonista da trama. “Cazas de Cazuza é uma vitrine muito potente, porque através do canto, da movimentação e atuação, aproveita o talento completo de um artista”, diz ela. Como Vanessa, Débora Reis, de 27 anos, não tinha experiência em televisão, mas também foi solicitada pela Globo. Ela já participou dos programas Zorra Total e A Turma do Didi e deve fazer uma ponta em As Aventuras da Tiazinha. “Tiazinha ficou superfã do meu personagem – uma mulher que ganha dinheiro rebolando – e me chamou para fazer uma vilã no seu programa”, conta.

Para Fernando Prata, 22 anos de idade e dez de interpretação, a passagem por Cazas de Cazuza deu frutos, mas não na tevê. Ele está dirigindo sua primeira peça, Floresta das Sereias. “Como há muitas pessoas no elenco de Cazas, tive tempo de observar e ter uma visão geral do trabalho”, explica Fernando.

Entre tantas histórias, a de Lulo Scroback, de 30 anos, é a mais interessante. Sem qualquer experiência artística, ele entrou no elenco, fez sucesso e se tornou o primeiro artista contratado pela gravadora Som Livre nos últimos dez anos. O convite foi de João Araújo, pai de Cazuza e vice-presidente da gravadora. “Sempre fui meio metido a ser artista, mas nunca tinha feito nada”, diz ele, cuja experiência artística se resumia a uma temporada como barman num bar em Hollywood – quando, nas horas vagas, brincava no microfone. “Minha voz é forte, carrego bagagem de soul e funk mas quero fazer um som brasileiro”, conta. Lulo busca carreira de pop star e já convenceu Rodrigo Pitta, o diretor de Cazas de Cazuza, a empresariá-lo. “A idéia é lançá-lo como um cara do entertainment, como é Madonna e Michael Jackson”, diz Rodrigo.

Outros dois atores do musical foram convidados para gravar discos: Jay Vaquer, 28 anos, filho de Jane Duboc, e Bukassa, 30 anos, um africano que mora no Brasil desde criança. Os dois já se conheciam do circuito de bares de São Paulo e estavam em busca de um lugar ao sol. “Estava deprimido e minha mãe falava para eu seguir o exemplo de pessoas que se deram mal antes do sucesso, como Harrison Ford e Djavan”, conta Jay. Graças ao musical, ele lança ainda este mês seu primeiro disco, Nem Tão São, pela gravadora independente Jam. Bukassa, mais experiente, já havia lançado dois discos, trabalhado como backing vocal de Marisa Monte e de Elba Ramalho. Mesmo assim, credita ao espetáculo a chance de gravar o terceiro CD, que também sairá pela Jam. “Cazas de Cazuza é uma flor. Desabrochou e jogou sementes que vão brotar em forma de talento em áreas diversas”, completa.

Quem deu asas a essa auto-intitulada “Geração Z” (nome inspirado nos dois “Z” do título do musical) foram os amigos de infância Rodrigo Pitta e Daniel Ribeiro, de 23 anos, diretores do espetáculo. Eles acabam de ser convidados pela Universidade Gama Filho, do Rio de Janeiro, para montar a primeira escola de show business do País. “Vai ter show, canto, dança e marketing cultural”, diz Rodrigo, que pretende abrir os cursos já em agosto. Eles estudaram nos EUA, na American Music and Drama Academy, na Broadway, e voltaram ao Brasil dispostos a reposicionar o gênero que estava em baixa durante toda a década de 90. “A gente plantou uma sementinha de musicais. É legal ver que isso está virando um mercado e que a gente é parte pensante dele”, diz Daniel.

Filhos de Musicais

Não é de hoje que os musicais revelam novos talentos no Brasil. Na década de 70, Sônia Braga, Ney Latorraca e Antônio Fagundes apareciam no espetáculo Hair. Na década de 80, seria a vez de Cláudia Raia (então chamada Maria Cláudia Raia) e Raul Gazzola brilharem durante e depois de Chorus Line. Tudo indicava que a década de 90 passaria sem grandes revelações. Antes de estrear, o espetáculo Rent chegou a chamar atenção do público e de crítica, mas depois decepcionou. Foi Cazas de Cazuza que surpreendeu com o talentoso elenco.

 


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