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Anjelica
Huston
“Ator
é um bicho muito louco”
“Eu
passava uma hora e meia toda manhã no trailler de maquiagem
e tive que terminar o filme em nove semanas”, diz Anjelica
sobre a dupla jornada de dirigir e protagonizar o filme
Agnes Browne
Marcelo
Bernardes,
de Nova York
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Divulgação
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Ex-namorada
de Jack Nicholson, atriz diz que a vida com atores
pode ser um inferno
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Antes
de se tornar uma atriz de sucesso, capaz de despertar
o ódio em filmes como Os Imorais e Convenção
das Bruxas e ser deliciosamente mórbida como
a Mortícia de A Família Addams, Anjelica
Huston foi uma modelo famosa por seu rosto exótico,
ombros largos e olhar glacial. Agora, com 48 anos, revela
que foi sabotada pelo pai, o lendário cineasta
americano John Huston. Ao saber que Franco Zeffirelli
tinha descoberto sua filha num colégio de Londres
e queria escalá-la para o papel principal de
Romeu e Julieta, Huston escreveu uma longa carta
ao italiano dizendo que ele mesmo queria ser o responsável
pelo début de Anjelica nas telas. Dois anos mais
tarde, a estréia dela aconteceu. Mas o filme
Caminhando com o Amor e a Morte foi bombardeado
pela crítica.
John Huston ainda faria as pazes profissionais com a
filha, dirigindo-a rumo a um Oscar de Coadjuvante pela
comédia A Honra do Poderoso Prizzi (1985),
na qual a atriz contracenou com Jack Nicholson, seu
namorado por 16 anos. Em 1996, finalmente, ela viria
a seguir os passos do pai, tornando-se diretora de um
filme. Não pegou um tema fácil, nem fez
feio em sua estréia no cinema. Seu Marcas
do Silêncio, estrelado por Jennifer Jason
Leigh, era um drama pesado com cenas de estupro infantil.
Três anos depois, Anjelica volta como diretora
do drama Agnes Browne O Despertar de uma Vida,
no qual ela também interpreta a personagem principal:
uma recém-viúva, mãe de sete filhos,
morando numa Dublin paupérrima no final da década
de 70. Ao contrário de As Cinzas de Angela,
outro filme sobre a pobreza na Irlanda, Agnes Browne
é uma produção leve e delicada.
Nem conseguiria pegar outro dramalhão.
Estava atrás de uma história humana e
cheia de esperança, disse a atriz em entrevista
à Gente na suíte de um hotel cinco
estrelas de Nova York.
Como
foi a experiência de dupla jornada de atriz e
diretora em Agnes Browne?
Totalmente esquizofrênica. Tudo é ok até
o momento em que, no meio das filmagens, alguém
vem até você e começa a relatar
seus problemas.
Mel
Gibson, quando dirigiu Coração Valente,
já apontava a mesma dificuldade.
Pois é. Mas acredito que para mim, como mulher,
foi ainda mais difícil do que para ele. Mel Gibson
teve muito dinheiro e tempo para rodar. Apesar de ele
aparecer com o rosto coberto de azul, nada se compara
com o tempo que uma mulher gasta na cadeira de maquiagem.
Eu passava uma hora e meia toda manhã no trailler
de maquiagem e tive que terminar o filme em nove semanas.
Quando finalmente ficava pronta, todos os departamentos
do filme vinham até mim com inúmeras perguntas.
Saía de uma cena de muita emoção
e alguém chegava e perguntava: Esse sofá
está bom?
Quando
surgiu o interesse da senhora pela direção?
Sete anos depois de rodar A Honra do Poderoso Prizzi,
ofereceram-me a oportunidade de dirigir um filme que
contasse a história pregressa de minha personagem
naquela produção feita pelo meu pai. Não
achei a proposta muito boa, mas o convite me fez contemplar
a idéia de virar diretora. Quando você
passa pela mão de vários diretores, que
vão do sublime ao déspota, há de
se ter uma certa idéia de como se quer ser tratada.
Quando ofereceram-me a direção de Marcas
do Silêncio, em 1996, resolvi agarrar a oportunidade.
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