Saúde  
Doenças da Tireóide
Cerca de 4% da população mundial têm problemas
na glândula tireóide, entre distúrbios hormonais, nódulos
e câncer
Lenine Garcia Brandão
divulgação
Brandão: peixes e frutos do mar ajudam a regular o iodo

As doenças da tireóide têm se tornado cada vez mais conhecidas devido aos avanços na tecnologia de diagnóstico. Mas, além do hipotireoidismo e hipertireoidismo, comuns por serem associados ao emagrecimento ou ganho de peso, outras doenças da tireóide devem receber atenção. A função da glândula tireóide pode ser afetada se não tiver um aporte suficiente de iodo. E a ausência deste micronutriente poderá produzir uma hipertrofia (um aumento) da tireóide. Este aumento pode ser de forma difusa – bócio difuso – ou de forma localizada – bócio nodular. Quando o bócio é grande costuma ser chamado, popularmente, de papo, devido ao abaulamento visível no pescoço.

O Brasil teve os casos de bócio reduzidos de 12% para 1% a partir da obrigatoriedade da adição do iodo ao sal de cozinha, previsto em lei de 1974. Mesmo assim, as doenças da tireóide ainda são mais freqüentes, e muito mais nas mulheres por causa da ausência de iodo na alimentação e a distância do oceano – que leva ao menor consumo de peixes marinhos e frutos do mar. Quando a tireóide tem um funcionamento deficiente, o paciente pode apresentar cansaço constante, ficar apático e sonolento, ter aumento de peso e outras alterações no humor e na textura da pele. Cerca de 4% da população mundial têm problemas da tireóide, segundo Alberto Foberti (Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, 2005). Isso pode ser preocupante quando, pelos critérios da OMS - Organização Mundial da Saúde, chama-se região endêmica para bócio a ocorrência da alteração em 10% da população.

Os melhores meios de diagnóstico quanto à presença de nódulos ou de aumento da tireóide é a palpação do pescoço, realizada por um médico cuidadoso e experiente e naqueles nódulos não palpáveis o melhor método para o diagnóstico é a ultra-sonografia. Se no Brasil tivéssemos cerca de 4% de prevalência na população de 180 milhões de pessoas, verificaríamos cerca de 7 milhões de pessoas com nódulos da tireóide palpáveis. Na detecção de sintomas de hipotireoidismo ou de hipertireoidismo, a tireóide funcionando pouco ou funcionando muito, há necessidade de uma boa história clínica e/ou de exames laboratoriais dos hormônios da tireóide e do hormônio TSH, que estimula as células da tireóide a produzirem o seu próprio hormônio. Estes exames são realizados em laboratórios (apenas coleta de sangue, para dosar as suas taxas).

Apesar de a maioria de doenças da tireóide não necessitar de tratamento – só acompanhamento clínico – há doenças em que se usa medicação, como as drogas antitireóideas no hipertireoidismo, o hormônio da tireóide no hipotireoidismo, o iodo radioativo em determinadas situações e a cirurgia nos nódulos tireoidianos, que tenham indicação deste tratamento. Em termos de nódulos da tireóide, o médico que assiste o paciente deve voltar sua atenção para o fato de poder diagnosticar um câncer (neoplasia) da tireóide – nesse caso, o paciente deve ser submetido a cirurgia. Hoje as técnicas cirúrgicas permitem cicatrizes esteticamente menores, devido ao uso de técnicas minimamente invasivas, como as cirurgias videoassistidas e as miniincisões, nas cirurgias chamadas abertas.

Lenine Garcia Brandão é PhD e cirurgião de cabeça e pescoço do Hospital Sírio-Libanês em São Paulo

 
Pílulas
 

» Apesar da alta incidência – é o 8º tipo que mais acomete as mulheres – o câncer de tireóide é um dos mais fáceis de ser curados atualmente – o índice de cura é de 98% a 99%

» Os distúrbios da tireóide podem causar falta de ar e dificuldade para engolir. No hipertireoidismo os sintomas são taquicardia, perda de peso, insônia e nervosismo. No hipotireoidismo os sintomas são aumento de peso, pele seca, queda de cabelo, depressão e sonolência

» Segundo dados do HC/FMUSP, para cada três mulheres que apresentam nódulos de tireóide, apenas um homem é acometido. Ainda não se tem explicação científica para a prevalência em mulheres