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Zorra total e sem controle
Humorísticos vão do mofo ao mau gosto

Mariane Morisawa

Fotos: Divulgação
Carmem Verônica e Iara Jamra fazem o quadro “Prima Rica, Prima Pobre”, que existe há 50 anos

O Zorra Total, da Rede Globo, acaba de estrear seus novos quadros – entre eles um que tem mais de 50 anos de idade. “Prima Rica, Prima Pobre” é uma versão repaginada, com Carmem Verônica e Iara Jamra (num papel que seria de Nair Bello) nos lugares de Paulo Gracindo e Brandão Filho. Os dois foram sucesso na Rádio Nacional, nos anos 50, com o quadro “Primo Rico, Primo Pobre”, que fazia graça com a absoluta falta de sensibilidade e desprezo do milionário pelo parente miserável. Depois, a atração foi adaptada para a tevê no Balança mas Não Cai, nos anos 60, e revisitada na década de 80.

Essa seria apenas mais uma reciclagem comum na televisão não fossem os outros novos quadros também repetições de um tipo de humor que já dura décadas na tevê. São aqueles esquetes que apresentam toda semana uma pequena variação sobre o mesmo tema. Todo mundo já sabe o que vai acontecer, sem nenhuma surpresa.
No humor brasileiro, não há alternativas. O Casseta & Planeta surgiu justamente como novidade, mas também se perde em repetições. O pior é que o Zorra Total é um programão perto do Sem Controle, que o SBT colocou no ar (quartas, 23h). O humorístico usa além da conta as mulheres de biquíni ou lingerie e faz piadas preconceituosas, principalmente com homossexuais. E, para ficar “moderno”, gosta de inserir notas da vida real. Como os policiais corruptos que atiram no cidadão que vai devolver uma pasta de dinheiro, ou o médico incompetente que só se preocupa com a mulher gostosa do homem baleado. Desde quando esses são assuntos para dar risada? O programa é mais uma amostra de que quem está sem controle é mesmo Silvio Santos.