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A voz do Brasil
Ferreira Martins, considerado o maior locutor do País, não cuida da própria voz, morre de medo de gripe e fatura R$ 3 mil por 15 minutos de trabalho

Flavio Sampaio

Rogério Albuquerque
“No início da minha carreira, cheguei a repetir 160 vezes a frase ‘Hollywood King Size Filtro, o sucesso’”, diz Martins

–Alô, a Carla está? – Não, quer deixar recado? – Quero sim. Diz pra ela que o pai dela tem uma voz linda! Recados assim já foram passados diversas vezes para Ferreira Martins, 51 anos, considerado um dos melhores locutores do País. Envergonhado, o paulista de Rancharia, se diz aliviado por não enfrentar mais situações como esta. A filha Carla, de 26 anos, estuda nos Estados Unidos e não mora mais com ele. Para reconhecer a voz tão especial, basta lembrar de alguns slogans: “Omo faz, Omo mostra”, “Antarctica, uma paixão nacional” ou ainda “América On Line: a maior, porque é a melhor”. A voz de Martins tornou-se sinônimo de credibilidade. Para ele, timbre masculino ajuda. “Pesquisas mostram que a credibilidade da voz masculina é superior à da feminina. Eu concordo”, diz.

Ele foi o locutor da campanha presidencial de 1994 de Fernando Henrique Cardoso e, segundo informações do mercado publicitário, embolsou R$ 1 milhão pelo trabalho. Ele não confirma. Diz apenas que o cachê foi muito bom. “Quando vazou a declaração do Ricupero (então ministro da Fazenda, que disse: “O que é bom a gente fatura, o que é ruim a gente esconde”), me acordaram às 3 da manhã para refazer o programa do dia seguinte”, conta Martins, que só bebe cerveja Antarctica, votou em FHC e mantinha conta no Bamerindus. Trabalhou por 30 anos como locutor de rádio, apresentou durante 20 anos os jornais da extinta TV Tupi, o Jornal Nacional da TV Globo, entre 1972 e 1974, até ir para a TV Bandeirantes. Em 1992 passou a se dedicar à publicidade, com um cachê de cerca de R$ 3 mil por “assinatura”, que grava em 15 minutos. “No início da minha carreira, cheguei a repetir 160 vezes a frase ‘Hollywood King Size Filtro, o sucesso!’”, conta. Ele ganha até R$ 100 mil por uma campanha. Mas nem por isso toma cuidados especiais com a voz. “Tomo cerveja gelada como todo mundo. O que eu não posso é ficar gripado, então me previno com muita vitamina C”, diz.

 


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