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Fotografia

Humor instantâneo
Regina Casé lança livro de fotos Polaroid, vibra com elogio de Fernanda Montenegro e reclama que Globo não a chama para atuar em minisséries

Rosângela Honor

Silvana Garzaro
A humorista fotografada pelo ex-marido, o artista plástico Luiz Zerbini, há quatro anos. “Por que nunca me chamaram para fazer uma minissérie?”, reclama Regina

A segunda-feira 24, por volta de 20h30m, o telefone tocou no apartamento de Regina Casé, no Rio de Janeiro. Do outro lado da linha, era Fernanda Montenegro. Acabara de assistir ao filme Eu, Tu, Eles, dirigido pelo genro, Andrucha Waddington, e estava encantada com o desempenho da humorista. Regina, que estava dormindo, recebeu o recado do marido, Estevão Ciavatta, no dia seguinte. “Ela disse que achava um crime eu não me dedicar à carreira de atriz”, conta Regina.

O “elogio-sabão” só acentuou a necessidade da humorista de voltar a atuar. “Quero voltar a representar”, anuncia. Fernanda Montenegro está na torcida. “Ela é uma atriz excepcional, tem um tipo brasileiro maravilhosamente assumido”, elogia novamente. “É uma pena ela não estar representando.” Sentada em uma cadeira de praia, no terraço da casa onde morou durante dez anos, na Gávea, Zona Sul do Rio, com o ex-marido, o artista plástico Luiz Zerbini, e com quem teve sua única filha, Benedita, 10 anos, Regina, 45, desabafa: “Por que nunca me chamaram para fazer uma minissérie?”. “As pessoas têm necessidade de te guardar numa gaveta, você faz uma coisa e de repente só conseguem te ver daquela maneira”, reclama.

A queixa dá lugar a um largo sorriso para falar do livro Já, que lançará no dia 6, na Bienal de São Paulo. Nele, a humorista dá vazão à fotógrafa. A obra reúne cerca de 2 mil fotos que Regina registrou com suas Polaroid ao longo de 22 anos. “Parei de fumar e comecei a fotografar”, explica ela. Seu desejo pela fotografia é, de fato, compulsivo. Chega a levar seis rolos de filmes para as festas para as quais é convidada. “Não fumo, não bebo e não me drogo. Então eu fotografo”, diz. As máquinas também a acompanham em suas viagens de trabalho e de férias.

Atualmente, o sonho de consumo de Regina é dar férias para a humorista. Ela conta que seu bom humor é cobrado até mesmo nas ruas. Outro dia, quando tentava resolver um problema com o seu bilhete no balcão do aeroporto, foi abordada por uma senhora. “Nunca pensei que você fosse assim, pensei que fosse alegre”, reclamou a fã. Regina não esconde o desejo de trabalhar com o diretor Guel Arraes ou de poder criar um sitcom. Também sonha em comandar um programa de auditório, nos moldes da Discoteca do Chacrinha. “Sempre me dei muito bem com populares e anônimos”, diz. Quem a conhece bem não tem dúvidas do quanto ela é obstinada quando tem um objetivo. “Ela é determinada, quando quer alguma coisa, batalha mesmo”, diz o ex-marido, Luiz Zerbini.

Regina Casé ingressou na televisão quando era menina. Ainda se lembra da primeira bronca que levou ao participar de um comercial, na época em que a tevê era ao vivo. No ar, reclamou que o pão estava com casca. Aos 17 anos, entrou para o grupo de teatro Asdrúbal Trouxe o Trombone. Naquele tempo, desdenhava os convites para fazer televisão.

Hoje, se diverte quando lê antigas entrevistas nas quais declarava que jamais entraria para a Rede Globo. Nos anos 80, acabou se rendendo. Aparecia nos programas de Chico Anysio e de Renato Aragão, mas sempre voltava ao Asdrúbal. Foi assim até o dia em que achou que não estava mais cumprindo sua função social no grupo. “Não tinha mais sentido fazer espetáculos para pessoas que iam ao Canecão pagando um dinheirão”, relembra.

Depois de comandar atrações como Programa Legal, Brasil Legal e Muvuca, a humorista diz que não consegue mais perceber as diferenças entre eles. “Para mim, são todos um só”, resume. Hoje, com o Muvuca, vive uma verdadeira roda-viva. Há 12 semanas, não tem um sábado ou domingo de folga. Acorda cedo para tomar o café da manhã com Benedita e a leva em muitas viagens. “Ela adora”, diz. Para administrar a casa, conta com o apoio do marido.

Depois de três anos e meio de convivência, Regina e Estevão, 14 anos mais novo, se casaram no final de 1999, no civil e religioso. A humorista, que já dividira o mesmo teto com o diretor Hamilton Vaz Pereira e com o artista plástico Luiz Zerbini, explica: “O casamento foi uma maneira legal de resolver as expectativas de coisas que não vão acontecer porque ele vai ficar comigo”. Outro ponto de equilíbrio na vida de Regina é a religião. Católica, ela conta que o primeiro lugar que visita em suas viagens mundo afora é uma igreja. “Preciso estar numa igreja, faz parte da minha vida. Igual a comer, dormir, dançar e namorar”, compara. Mas não faz restrições a outras religiões. Com a mesma desenvoltura com que entra num templo católico, vai à sinagoga e a festas de candomblé. “Tem gente junta, rezando e cantando, tô dentro”, simplifica.
Colaborou Adriana Barsotti

 


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