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Polêmica

No lugar errado
Marlene Beteghelli é secretária particular do prefeito de São Paulo Celso Pitta, mas recebe o salário de uma autarquia e foi contratada sem licitação

Cesar Guerrero

Cláudio Gatti
“Eu trabalho muito. Não há nada de irregular na minha contratação”, afirma Marlene, que, além de cuidar da agenda de Pitta, ainda administra as compras e as contas pessoais do prefeito.

Desvio de função. Essa é a definição do Ministério Público para o que acontece quando uma pessoa recebe um polpudo salário de uma empresa mas, na prática, presta serviços para um órgão do governo. A situação se encaixa perfeitamente na condição de Marlene Beteghelli, 44 anos, secretária particular do prefeito Celso Pitta. Desde 1998, ela deixa seu apartamento, no bairro do Paraíso, no centro de São Paulo, por volta das nove horas, e segue para a prefeitura a bordo de um carro oficial. Trabalha até o início da noite no gabinete de Pitta e ainda visita regularmente o flat onde ele mora para ver se tudo está em ordem. Mas os serviços de Beteghelli não saem da folha de pagamento da prefeitura. O salário da secretária – de R$ 5,6 mil –, praticamente igual aos vencimentos mensais do prefeito, é pago pela Empresa de Processamento de Dados do Município (Prodam), uma empresa de economia mista que tem como principal acionista a própria prefeitura. “Eu trabalho muito. Não há nada de irregular na minha contratação”, argumentou Marlene à Gente na terça-feira, 2.

A Prodam é uma autarquia e paga salários maiores do que a administração municipal. Mas, de acordo com o Ministério Público, não pode contratar funcionários sem concurso público. Marlene não prestou concurso. Também não é técnica em informática e sua função no gabinete do prefeito nada tem a ver com a manutenção do sistema de processamento de dados. Mesmo assim, a Prodam depositou R$ 73 mil em sua conta corrente em 1998, já na administração de Celso Pitta. “Esses funcionários recebem muito mais do que ganhariam se fossem contratados pela prefeitura”, diz a vereadora Aldaíza Sposati (PT). “Como a empresa é ligada ao município, isso acaba onerando os cofres públicos”, completa.

NAMORADA LOIRA

Ainda em 1998, Marlene recebeu outros R$ 60 mil como rendimentos declarados no Imposto de Renda como pessoa física, vindos de três empresas, mas do setor financeiro privado. Da prefeitura, porém, não há qualquer registro de pagamentos declarados ao Leão.

A secretária particular de Pitta foi contratada pela Prodam, em 1993. Na época também trabalhou no gabinete do prefeito Paulo Maluf. Seu nome aparece em uma lista de 193 funcionários que tiveram contratos irregulares e estão discriminados na ação popular movida pela oposição. Segundo Aldaíza Sposati, o documento pede a condenação de Paulo Maluf e de Celso Pitta, então secretário de Finanças, e a devolução do prejuízo causado ao Município pelas contratações. A ação gerou 28 volumes de processo e recebeu um parecer favorável do Ministério Público. “No que diz respeito ao mérito da causa, a procedência do pedido se impõe”, diz Fernanda Leão de Almeida, promotora do Ministério Público de São Paulo, em seu parecer. Cabe, agora, ao juiz Oswaldo Magalhães Júnior, da 1ª Vara da Fazenda Pública do Estado, dar a sentença em primeira instância, que seja qual for o resultado poderá ter recurso.

Marlene Beteghelli é a profissional mais próxima hoje em dia de Celso Pitta. Foi uma das causas da ira de Nicéa, ex-primeira dama da cidade. Ocorre que Marlene, além de administrar a agenda do prefeito, cuida diariamente de suas refeições e até das contas pessoais. Passa todos os dias no flat onde o prefeito mora desde que se separou de Nicéa, em novembro do ano passado. Mais: Marlene é a pessoa que mais conhece os gostos pessoais de Pitta. “Ele gosta de jazz”, contou a Gente há dois meses, época em que foi apontada como provável namorada loira do prefeito.

Além de ter de administrar o imbróglio familiar, Pitta tem seus bens indisponíveis e enfrenta sucessivas condenações por improbidade administrativa, a rejeição de seu nome nas pesquisas eleitorais e de quebra um processo de impeachment na Câmara Municipal. “Apesar de todos os processos o prefeito ainda é capaz de manter uma funcionária tão próxima numa situação irregular”, diz a vereadora Aldaíza Sposatti. “O censo de ética dele é espantoso.”

 


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