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Imprensa

Ela peitou a Globo
A saída de Lillian Witte Fibe da emissora motiva nota sobre negociação salarial, que segundo a jornalista, não existiu

Rodrigo Cardoso

João Primo
O contrato de Lillian venceu em março e ela aceitou prorrogar duas vezes: queria mudar de vida

A jornalista Lillian Witte Fibe chorou, em 1993, enquanto falava ao telefone com o empresário Silvio Santos. Comunicava ao dono do SBT que estava saindo da emissora, onde trabalhara durante um ano, para retornar à Globo. Sete anos depois, na manhã de quinta-feira 27, Lillian enviou um fax ao diretor da Central de Recursos Humanos, Érico Magalhães, informando que deixava a Globo. Dessa vez, não derramou lágrima. Estava contente em dar um basta na louca rotina que a fazia trocar o dia pela noite cinco vezes por semana. À tarde, no entanto, soltou impropérios pelo telefone de casa ao saber do comunicado oficial da empresa. Na nota, a Globo “considerou que não deveria aumentar a proposta feita à jornalista”. Lillian comprou briga com a Globo e desmentiu a emissora, dizendo que nem sequer discutiu salário. Aos 46 anos, a ex-apresentadora do Jornal da Globo, considerada uma das profissionais de maior credibilidade do País, ainda não decidiu se pretende fechar contrato com outra emissora.

Carlos Tramontina é quem apresenta, provisoriamente, o Jornal da Globo. Ana Paula Padrão e William Waack são cotados para assumir o posto em definitivo. A própria Lillian, segundo uma amiga, aposta em Ana Paula. “Ela é mesmo querida pelo Evandro (Evandro Carlos de Andrade, diretor de jornalismo da Globo)”, confirma uma jornalista da emissora carioca. A novidade desaponta os admiradores. “É uma bobagem comparar a Ana Paula com a Lillian. Sou tiete da Lillian”, diz Salete Lemos, apresentadora do Jornal da Record 2ª edição.

Não houve um fato isolado que precipitou a saída de Lillian. Desde agosto do ano passado, ela avisava sua equipe que não renovaria o contrato, vencido em março. Aceitou, no entanto, dois pedidos de prorrogações da emissora, antes de sua demissão ser anunciada na nota assinada pela Central Globo de Comunicação, cujo diretor é o jornalista Luis Erlanger. “O comunicado da Globo foi uma coisa triste, feia. Não foram éticos com a Lillian. Fica parecendo que ela não tem valor”, diz Salete. “A Globo jamais deixaria um ex-funcionário ter o gostinho de dizer que não quis ficar na emissora. Claro que daria um jeito para sair por cima. E a Lillian e o Erlanger nunca se deram bem”, afirma um jornalista da Globo.

Um conhecido apresentador de tevê acredita que Lillian deixou a Globo por razões empresariais. “Ela era um produto que parou de interessar à Globo. Sumiu, não tinha repercussão e estava num processo de desprestígio”, diz o apresentador. “A Globo detectou um problema e não fez força para segurá-la.” Lillian foi procurada por Gente, mas não respondeu aos pedidos de entrevista.

Com o acúmulo das funções de apresentadora e editora-chefe do Jornal da Globo, Lillian chegava no trabalho às 16 horas e voltava para casa às 3 horas. Sempre ressentiu-se por não estar presente no dia-a-dia dos filhos. Ricardo, 19 anos, seu filho mais velho, chegou a dar boa noite para Lillian, num domingo, assim: “Até o próximo sábado, mãe!”. Cristina, 18 anos, colocava o despertador para acordar de madrugada. Assim encontraria a mãe na cozinha, preparando a última refeição. Lillian só desligava os motores de manhã, depois de ler os jornais pela internet. “Cansei de receber e-mail dela às 5 horas”, conta a amiga Mônica Waldvogel, apresentadora do Bom Dia São Paulo.

De temperamento forte, Lillian muitas vezes disse o que pensava para as câmeras. “Ela é peituda, raçuda, fala o que sente”, conta Waldvogel. Há poucos meses, por problemas técnicos, sua equipe não conseguia soltar a imagem de uma reportagem. Na terceira tentativa, não se conteve: “Acho que deu a louca na Rede Globo. Vamos ver se agora conseguimos assistir à matéria.” Colegas de trabalho confirmam seu jeito peculiar de comandar. A saída do jornalista esportivo Cléber Machado do Jornal da Globo, em 1998, é um exemplo. “Um dia ele chegou na redação às 22 horas e a Lillian lhe disse, sem muitas explicações: ‘Não vai ter mais esporte no jornal’”, conta um jornalista da equipe. Cléber, que comentava esporte, afirma que, nesse dia, “Lillian comunicou que havia pouco espaço no jornal e iria mostrar apenas os gols da rodada”. O integrante da equipe de Lillian rebate: “Lillian disse que não queria dividir a bancada. Tanto que o editor de esportes foi reclamar com a direção”.

Há meses, Lillian mudou o enfoque do Jornal da Globo por considerar, junto com integrantes da chefia, que economia não vinha dando ibope. Ultimamente, havia pelo menos quatro matérias sobre saúde por edição. “Ela gosta do assunto, toma vitaminas, faz tratamento ortomolecular e se cuida para não engordar”, conta uma amiga. Antigos telespectadores chiaram. “Ela não era mais aquela jornalista econômica de antes”, diz Marcelo Giufrida, vice-presidente do Banco CCS Brasil. Freqüente entrevistado de jornalistas econômicos e assíduo no próprio Jornal da Globo, Giufrida foi convidado há duas semanas para uma entrevista ao vivo com Lillian. Pouco antes, ela perguntou a pronúncia de seu nome. Mas no ar, esqueceu seu nome: “Vamos entrevistar o senhor, o senhor...”. Para Giufrida, foi esquisito. “Ficou pior para ela, que não podia esquecer.” No final, Lillian se desculpou. Para pessoas da equipe, isso demonstra o quanto ela se afastara da cobertura econômica. Lillian tentou mudar o jornal, mas não conseguiu mudar seu estado de espírito. E, como já disse uma vez, quando está infeliz sai à procura de emprego. Depois do merecido descanso é o que deve fazer.

 


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