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Política

O homem que calou ACM
O senador Jader Barbalho trocou a esquerda pelo centro, assumiu sua paixão pela sobrinha da ex-mulher e transforma antigos adversários em novos aliados

Cecília Maia

Felipe Barra
“Antônio Carlos costuma levar as pessoas até a boca da latrina e, humilhadas, elas recuam e ficam caladas. Eu não”, diz Jader Barbalho

O presidente nacional do PMDB e líder do partido no Senado, Jader Barbalho (PA), 55 anos, mostrou nas últimas semanas que sua força política vai muito além das investidas contra o governo. Jader Barbalho foi o homem que, da tribuna, fez calar a boca do todo-poderoso senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), presidente do Senado e um dos políticos mais temidos do Congresso. “Ele costuma levar as pessoas até a boca da latrina e, humilhadas, elas recuam e ficam caladas. Eu não. Vou entrar na latrina e levo ele comigo”, garante o senador paraense. “O caso dele é de desonestidade, é ladrão”, insiste ACM. Essa guerra tem uma explicação para seus correligionários: o cacique do PMDB começa a preparar terreno para uma candidatura à Presidência da República. Até os adversários reconhecem sua astúcia e poder de fogo. “Jader é um maestro político: já esteve em todas as coligações possíveis com todos os adversários”, afirma o deputado Giovanni Queiroz (PDT-PA). “Da mesma forma que bate, compõe", conclui. “Eu não faço esse tipo de plano”, diz Jader, ao negar a pretensão de ser candidato à Presidência. “Até porque todos os que fizeram não chegaram lá.”

Jader Barbalho é um homem chegado à polêmicas. Com 21 anos, foi preso por liderar um comício em sua campanha à presidência da União Estudantil do Pará, em 1965. Por trás da operação estava o coronel Jarbas Passarinho, o mesmo que, quase 30 anos depois, ganharia o apoio de Jader na campanha ao governo do Pará. Jader pertencia ao esquerdista Grupo Estudantil Católico antes de integrar o grupo dos autênticos do MDB.

No plano pessoal, Jader Barbalho reza do mesmo terço. Há 10 anos, separou-se de Elcione Barbalho, companheira desde a época de estudante. Passou a viver então com uma sobrinha dela, Márcia Cristina Zahluth Centeno, que quando era criança foi dama de honra do casamento de Jader. A paixão arrebatadora dissolveu o casamento, mas preservou o respeito mútuo. “Jader é um homem de coração bom, humilde e enquanto estivemos juntos foi um pai muito carinhoso e presente”, afirma a ex-mulher Elcione, 55, deputada federal e aliada política do ex-marido. Com Elcione, o senador teve dois filhos, Jader Filho, hoje com 23, e Helder, 20 anos.

No início, a paixão entre Jader e Márcia foi vista como um escândalo pela sociedade de Belém. “Foi tudo muito difícil”, diz o senador. “Mas eu assumi um sentimento e pior seria ficar por aí traindo a própria mulher como fazem muitos.” Márcia, 35 anos, tem com Jader uma filha, Giovanna, de 3 anos. Quando assumiu a paixão, sofreu a censura da família. Mas confiou no temperamento do marido. “Fiquei tensa no primeiro momento, depois, relaxei porque, na verdade, ele sabe o que está fazendo”, diz Márcia.

PENDENGAS JURÍDICAS

Formado em Direito, Jader Barbalho pouco exerceu a profissão. Elegeu-se vereador aos 23 anos, deputado estadual aos 27, deputado federal aos 31 e governador do Pará aos 39, em 1983. No governo José Sarney, foi duas vezes ministro – da Reforma e Desenvolvimento Agrário e da Previdência Social. Reelegeu-se governador do Pará em 1990 e senador em 1994. Passaram-se 33 anos das façanhas do “perigoso esquerdista” dos anos 60 ao posto de senador de centro.

Para um antigo companheiro das peladas de futebol que em 1975 divertiam os deputados recém-chegados a Brasília, Jader mudou. “Ele era fechado e reservado, mas tinha o discurso mais desaforado de todos”, lembra. “Com o tempo, ficou calculista e muito pragmático.” Como senador de centro, ele encarou recentemente uma cirurgia de implante de cabelo, que lhe devolveu um ar mais juvenil. “Fiz isso antes que a calvície ficasse muito evidente”, diz.

A polêmica também acompanha a vida de Jader Barbalho na Justiça. Ele responde a uma série de denúncias e processos que vão desde enriquecimento ilícito, com supostas contas bancárias na Suíça, à desapropriação irregular de terras. Nas últimas décadas fez fortuna. Antes de entrar na política, tinha dois imóveis declarados. Hoje, é proprietário da Rede Brasil Amazônia, sediada no Pará, que engloba rádios, o jornal Diário do Pará, fundado em 1982, e a TV RBA, adquirida em 1990, por US$ 12 milhões. Possui três fazendas de criação de gado no Pará, além de imóveis e uma casa de veraneio em Fortaleza.

Quando era deputado estadual pelo MDB escapou de um tiroteio que poderia ter sepultado sua carreira. Num confronto político em Juruti, na fronteira com o Amazonas, militantes da Arena começaram a disparar tiros e deixaram a cidade no escuro. Para não levar bala, Jader e a ex-mulher fugiram de barco. Ele garante que o episódio foi uma exceção. O enfrentamento com o senador Antônio Carlos Magalhães lhe dá razão.

 


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