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Carreira

Mim galã, você índio
O ator Cláudio Heinrich, que já foi paquito, viajou ao Xingu para compor seu personagem na novela Uga Uga!, da Globo, um branco que vive entre índios

Rosângela Honor

Leandro Pimentel
“Não dou a menor importância ao fato de ser famoso”, diz Cláudio Heinrich, que ficou esquecido depois que deixou de ser paquito

Em outubro de 1998, o ex-paquito de Xuxa e ex-ator de Malhação Cláudio Heinrich foi convidado para o papel de um branco criado como índio na nova novela das 19hs da Rede Globo, Uga Uga!, de Carlos Lombardi. Perfeccionista, o ator começou a se dedicar exclusivamente ao personagem. Não cortou mais os cabelos, passou a fazer ioga, musculação, ginástica e bronzeamento natural. Viajou para o Xingu para conviver com os índios e teve aulas de tupi-guarani. Como se não bastasse, fez um curso no qual aprendeu a se movimentar como alguns animais e, há três meses, se submete a uma dieta radical, sem gordura, frutas e carboidratos. “Não queria aparecer no vídeo com cara de quem come sanduíche do McDonald’s”, brinca.

Aos 27 anos, Heinrich será pela primeira vez protagonista de uma novela. Imagina que interpretar o personagem Tatuapu, ou Adriano Karabastos, neto de um milionário vivido por Lima Duarte, é a grande chance de sua carreira. “Não medi esforços, acho que chegou a minha hora”, diz. Carlos Lombardi aposta no talento de Heinrich. Quando foi chamado pela direção da emissora para reformular Malhação, em 1997, o autor seguiu uma sugestão de Mário Lúcio Vaz, diretor da Central Globo de Qualidade, de investir no talento do ator. “Lembro que nas duas primeiras semanas achei seu desempenho horrível”, recorda. “Mas o Cláudio é determinado, cresceu muito como ator e este personagem pode ser um avanço em sua carreira”, prevê Lombardi.

Carioca da Tijuca, na zona norte do Rio, Cláudio Heinrich não pensava em ser ator. Queria ser médico. “Achava bonito ter a oportunidade de salvar vidas.” Mas não hesitou em batalhar uma vaga para ser paquito, em 1989. Passou pelo crivo da exigente diretora Marlene Mattos e teve de cumprir uma rotina que incluía aulas de canto e coreografia, gravações e shows em várias cidades do País nos fins de semana. “A disciplina era muito rígida, mas não estranhei tanto porque a minha educação foi assim também”, revela ele, descendente de suíços. Nesse período atuou nos filmes Lua de Cristal, Sonho de Verão e Gaúcho Negro, com Xuxa.

Amargou a experiência de ser esquecido, depois da fama como paquito. Ficou um tempo fora da tevê até ganhar uma chance em Malhação, em 1995. “Não dou a menor importância ao fato de ser famoso”, diz. A atriz Nívea Stelmman elogia a simplicidade de Heinrich e se derrete ao falar do amigo. Os dois já fizeram par romântico em Malhação, em Era Uma Vez... e agora voltam a formar dupla em Uga, Uga!. “Temos uma afinidade muito grande, ele é esforçado, pontual e capaz de tirar leite de pedra”, diz ela.

Primeiro filho do aposentado Roland Meier, 58 anos, e da dona de casa Maria da Graça Meier, 50, Cláudio Heinrich tem mais um irmão, Flávio, 25 anos, que mora e estuda nos Estados Unidos. Sempre fez o tipo bom menino e chegou a ser chamado de “cdf” nos tempos de colégio. “Ele nunca me deu trabalho”, garante a mãe. Até 1997, morava com os pais na Tijuca. Há um ano e meio, comprou apartamento em um condomínio da Barra da Tijuca, na zona oeste da cidade, e pouco depois os pais se mudaram para o mesmo prédio. É o seu pai, Roland, quem o empresaria e negocia o cachê do ator – que oscila entre R$ 3,5 mil e R$ 5 mil – em bailes de debutantes e eventos. “Com a Globo é o Cláudio quem dá a palavra final”, diz ele. Heinrich tem contrato com a emissora até 2001.

Avesso a badalações, o ator faz o tipo caseiro e politicamente correto. Não fuma, não bebe e afirma que nunca usou drogas. “Tenho pena das pessoas que usam”, diz. Ele conta que na época em que era paquito visitou diversas vezes o Hospital do Câncer, no Rio, para dar conforto aos doentes. “Vi tanta gente lutando por um pouco de vida que acho um absurdo alguém jogar a vida fora com drogas”, defende. Gosta de ficar em casa ouvindo música, vendo filmes e tocando guitarra ou violão ao lado da namorada Marisa Gomes, estudante de administração. Estão juntos há dois anos e meio. A música é outra paixão do ator. Há poucos meses, ele lançou seu primeiro CD, batizado com o seu nome. Mas não pretende substituir a carreira de ator. “Não quero parar de representar.”

 


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