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Camila pitanga e canela
Sucesso na tevê e promessa no cinema, a atriz ocupa o posto de morena brejeira no reino das louras, já foi clubete de Angélica, recusou-se a fazer teste na Globo aos 14 anos e se diz fruto de uma salada tropical

Adriana Barsotti
e Viviane Rosalem

André Durão
“Tínhamos tanta liberdade em casa que andávamos todos nus quando eles eram pequenos’’ Antônio Pitanga, seu pai

Era 1959 e o ator Antônio Luiz Sampaio ganhava seu primeiro papel no cinema, no filme Bahia de Todos os Santos. Tal foi a repercussão do trabalho que passou a ser chamado pelo nome do personagem: Pitanga. O apelido tornou-se sobrenome em pouco tempo. Depois de checar se a mãe não se oporia, Antônio acrescentou o nome da fruta em seu registro de nascimento. O que não supunha é que, trinta anos depois, o apelido agregado seria herdado. Desta vez, para conferir graça à sua filha, a atriz Camila Pitanga, 22 anos. Para Camila Manhães Sampaio, ser uma Pitanga lhe cai como luva. A fruta, agridoce, mistura sabores. A morena de 1,71m e 58 quilos une três raças em sua árvore genealógica. O avô paterno, Antônio José Sampaio, era neto de um índio com uma negra. A avó materna, Maria Helena Manhães da Silva, era negra e seu avô, Orlando Barbosa da Silva, branco. “Sou fruto dessa salada tropical e tenho nome de fruta”, diz Camila, que também planeja incorporar oficialmente o sobrenome.

A pele morena, a voz rouca, as curvas sinuosas e o tipo brejeiro temperaram na medida certa seu mais recente personagem na tevê: a índia Paraguassu, na minissérie A Invenção do Brasil, exibida pela Rede Globo. Na tela, Camila preenche um posto vago. Com ela, volta à cena a imagem da morena brejeira consagrada por Sônia Braga nos anos 70 em Gabriela, mas hoje um pouco esquecida.

“Quis a Camila no papel porque ela é o símbolo da mulher brasileira”, explica Guel Arraes, um dos diretores da minissérie. Para incorporar a personagem, a atriz pesquisou sobre Leila Diniz e se debruçou na leitura de Macunaíma, de Mário de Andrade, e Gabriela, de Jorge Amado. Não foi à toa que sua atuação aludiu à célebre morena que já seduziu o País. “Sônia Braga personificou personagens brasileiros muito importantes”, ressalta Camila. “Talvez por eu ter interpretado uma índia, a comparação possa estar mais forte.” Residente em Nova York, Sônia evita analogias. Prefere se opor à volta da brejeirice na pele da Camila. Não quis comentar o estilo da atriz e não crê que hoje exista um símbolo de mulher brejeira no Brasil. “Para mim, o símbolo da brejeirice é Caetano Veloso. Eu nunca me achei brejeira”, diz Sônia.

Mas, mesmo sem a benção da eterna Gabriela Cravo e Canela, a atriz tem os predicados para ocupar o posto, que já chegou a ser preenchido por Patrícia França, revelada na minissérie Tereza Batista, em 1992. Quase exceção numa tela que nos últimos anos tem privilegiado as louras, Camila não só resgata a brejeirice como fala com orgulho de suas origens. Já chegou a declarar que era negra. “Está no sangue, me orgulho disso”, diz, apontando para a veia. Foi um de seus traços de negra -- os lábios carnudos -- que lhe alçou ao novo disco de João Gilberto, João Gilberto Voz e Violão. É dela o dedo indicador em frente aos lábios, pedindo silêncio, na capa do CD recém-lançado. Depois de testes malsucedidos com várias modelos, a direção da gravadora Universal lembrou-se de Camila. Queria uma morena que exalasse brasilidade.

Coisa rara ultimamente. A pesquisadora Renata Pallottini, do Núcleo de Telenovela da USP, acredita que a predominância de louras e tipos europeus na televisão indicam uma tentativa de atrelar o gosto brasileiro ao europeu. “Mas isso é cíclico. As morenas vivem um bom momento na tevê”, diz ela. “Devemos pensar, porém, no ambiente em que a novela está sendo feita. Histórias rodadas fora do eixo Rio-São Paulo abrem mais espaço para os tipos brasileiros.” Na opinião de Walter Avancini, que dirigiu Gabriela, para que a brejeirice tenha seu espaço na tevê é preciso que os autores se disponham a escrever e criar tais personagens de destaque. “A morenice que retrata o perfil brasileiro conquista a tevê desde Gabriela, mas não é o espaço merecido”, diz Avancini. Para ele Camila Pitanga é uma ótima atriz e tem uma bela trajetória pela frente.

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