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Miguel Falabela


“Já fui até go go boy”
Ator conta que trabalhou no setor de carga da Varig, confessa não saber lidar com dinheiro e anuncia que vai deixar a Globo para passar um ano em Nova York

Viviane Rosalem

Leandro Pimentel
“Uma vez escapei de um assalto. Fazia Mico Preto e estava com o Marcelo Picchi. Os assaltantes chegaram perto e quando nos viram, gritaram: ‘Olha as bichas da novela das sete!’. Saíram logo de perto”

Quando o letreiro luminoso do Cine Itamar anunciava o novo filme em cartaz, Miguel Falabella de Souza Aguiar corria até as bilheterias do cinema da Ilha do Governador, no Rio, onde morava. Era o passatempo do filho da professora Maria Arminda e do arquiteto Edmo, que adorava soltar pipas na rua com os três irmãos. Aos 42 anos, Miguel Falabella, formado em Letras, é um aficionado por cinema e escreveu o roteiro de seu primeiro longa-metragem, Polaroids Urbanas. Mas descobriu que o teatro é a sua paixão. Atuou, dirigiu e escreveu peças consagradas como Louro, Alto, Solteiro Procura, A Partilha e Como Encher um Biquíni Selvagem, protagonizado pela amiga Cláudia Jimenez. Em entrevista à Gente, Falabella menciona que a atriz precisa de um analista. “O problema dela é com ela mesma”, diz. Satisfeito com o programa Sai de Baixo, ele não esconde o descontentamento com o veto a sua novela. “A tevê não quer polêmica”, diz. Depois de um longo jejum, Falabella volta aos palcos no musical O Beijo da Mulher Aranha, ao lado de Cláudia Raia. Foi ela quem negociou a compra de uma casa do ator, que confessa não saber lidar com dinheiro.

O que acha do Sai de Baixo?
Maravilhoso. Faço com prazer, mas brigo pela qualidade do texto. Quando dou um ataque, quando digo que não vou fazer aquela merda, eles melhoram. Adoro todos. Nunca tive problemas, nem com o Tom Cavalcante, apesar de achar que ele era um corpo estranho ali. Ele não gosta de contracenar. A praia dele é outra. Senti a saída da Cláudia Jimenez. Eu batia um bolão com ela.

Se sair, o programa perde ?
Obviamente. O Caco é diversão.

O Vídeo Show está como quer?
Está ficando. Estreei este quadro novo -- “Me chama que eu vou” -- muito cansado. E aquilo vive de eu estar bem. Tenho que estar criativo, engraçado, senão dá uma baixada de bola.

No teatro, dirige Monólogos da Vagina. O tema é oportuno?
Me impressionei. Achei que fosse esbarrar em algum tipo de preconceito, mas isso só aconteceu com o patrocínio. Todas as empresas que procurei queriam que eu mudasse o título. Depois de ver um anúncio da Du Loren, com dois homens se beijando, percebi que era o caminho. Eles eram ousados e me aprovariam. Estava certo.

O que chama mais atenção?
O legal da peça é que diz para a mulher: “Tenha uma relação com a vagina como os meninos têm com o pênis”. Porque um menino é criado assim pelo pai: “Olha meu filho, está duro”. Aí ele mostra. A menina sempre tem que estar com a perninha fechada, é uma relação de repressão.

E o que tem percebido de diferente nas mulheres?
Vejo muitas mulheres mal resolvidas, que não gozam, que não têm uma relação legal com seu corpo. Sei que a sexualidade feminina é diferente da masculina. A mulher tem outra relação para transar, para gozar. Não é como o homem que bate punheta para uma Tiazinha da vida.

O que você acha da banalização do sexo?
Sintomático. A gente transa muito mal. O sexo está mercantilista. A Tiazinha e a Feiticeira, por exemplo. Tenho respeito por essas moças, mas quem são elas? Qual é a profissão delas? São atrizes, apresentadoras de tevê, modelos? Não. São sexo, fetiches sexuais. Os fetiches têm que existir. Mas estão demais.

A que programas de tevê assiste?
Não vejo tevê aberta. Raramente vejo o que faço. Só assisto tevê a cabo.

Sua novela Escândalo foi reprovada pela direção da Globo?
Foi. A gente vive uma época em que a televisão não está querendo polêmica. A novela não rolou por causa da polêmica que eu ia criar. Além de um jornal, tem um grupo de negras que queriam ser brancas e uma agência de modelos, com aquelas modelos prostitutas.

Vai parar de escrever novela?
Não. Em 2001, vou fazer uma comédia louca com o Sílvio de Abreu. Se não é para tratar de temas polêmicos, vai ser só diversão, bem torta na cara.

A Cláudia Jimenez disse que está chateada porque você não escreveu uma peça que prometera para ela. E você?
O problema não é comigo. Ela está sempre chateada com a vida. Se estivesse bem, não criava aquelas porcarias, que entopem tudo. O problema dela não é comigo não, é com ela mesma. Ela está precisando de um analista. Mas, na verdade, é total falta de tempo. Adoro trabalhar com a Cláudia. A gente fez Como Encher um Biquíni Selvagem, que eu escrevi para ela e foi um dos maiores sucessos na história do teatro.

O que gosta de fazer?
Ginástica. Malho todo dia. Nos sábados e domingos, não dá para ficar fazendo nada... vai muita gente lá para casa. Acaba virando festa.

Comprou casa no Itanhangá?
Foi a Cláudia Raia que negociou o preço, porque sou babaca. Não sei lidar com dinheiro. Tenho um empresário para resolver tudo isso. Não tenho a menor relação com dinheiro.

Qual a sua maior vaidade?
Adoro carros. Vendi a Mercedes e o Jaguar. Comprei um Peugeot para sair à noite e voltar do teatro. Para o dia-a-dia, tenho uma Toyota, com motorista, para os empregados. Eles fazem as minhas compras de supermercado. Não tenho tempo.

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