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MPB
Ecstasy
Alegria é a tônica do vigésimo
álbum solo de Lou Reed
Humberto
Finatti
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Divulgação
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Lou
Reed: outsider e perturbador como sempre
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Há muitos anos, em uma de suas lendárias entrevistas,
o guitarrista, compositor e cantor nova-iorquino Lou
Reed declarou, sem um pingo de modéstia, que pretendia
escrever letras que se tornassem tão importantes para
a música quanto o escritor russo Dostoiévski foi para
a literatura mundial. Ele não estava brincando: desde
que iniciou sua carreira, nos anos 60, no grupo Velvet
Underground, até chegar a este Ecstasy, seu vigésimo
álbum solo em mais de três décadas de atividades, Reed
compôs algumas das peças musicais mais densas e preciosas
de que se tem notícia no mundo do pop. Dotado de raríssima
cultura e sensibilidade, o velho Lou sempre mostrou
predileção especial pelo lado outsider do homem.
Esta
predileção continua a se fazer presente nas catorze
faixas do novo trabalho, embora de forma mais mitigada.
Nem poderia ser diferente. Aos 58 anos de idade, casado
com a artista multimídia Laurie Anderson, Lou Reed se
diz de bem com a vida – daí o título do novo disco.
E, afinal, ele já traçou em suas crônicas musicais um
vasto painel poético de toda a degradação humana. Ao
seguir o famoso preceito de William Blake (“trilhar
o excesso para alcançar a sabedoria”), Reed desceu aos
infernos e emergiu de lá com clássicos do rock’n’roll
onde os personagens principais eram a escória da existência.
Travestis, bêbados, drogados, prostitutas. Figuras sórdidas
nas quais o compositor conseguiu vislumbrar encantamento
suficiente para criar pequenas obras-primas.
Ecstasy
poderá acrescentar mais alguns clássicos à sua já extensa
galeria. Seja pela abertura balançada de “Paranoia Key
of E” (onde, para metaforizar o caos emocional que permeia
o homem, o cantor traça uma analogia entre doenças psíquicas
e notas musicais), pelos quase quinze minutos de guitarras
distorcidas de “Like a Possum” ou pela melancolia de
“Baton Rouge”, impressiona ver como o quase sexagenário
Lou Reed, continua com o fôlego criativo inalterado
para engendrar canções desconcertantes, incômodas e
perturbadoramente belas.
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