Saúde  
Chocolate na dieta
Estudos mostram que o alimento não precisa ser totalmente descartado numa dieta para manter a saúde e a boa forma
Sheila M. Pasquarelli
divulgação
Sheila: o chocolate meio amargo engorda menos
Com a proximidade da Páscoa e o aumento das propagandas e das ofertas, até quem não é fanático por chocolate fica com água na boca. Mas como consumir esse alimento de modo saudável e sem aumentar os ponteiros da balança? O chocolate pode ser uma fonte importante de nutrientes, energia e satisfação. Hoje, a imagem de vilão do alimento começa a ser dissolvida, à medida que se conhece mais sobre os seus componentes e os benefícios que podem trazer ao organismo. O chocolate, pouco a pouco, passa a fazer parte das dietas, para a boa ventura dos supliciados pela necessidade de se privar de algumas gulodices para perder alguns quilos, ou manter o peso ideal.

O chocolate tem uma boa vantagem sobre outros alimentos, pois reúne nutrientes, como cálcio, fosfato e ferro, carboidratos, fenóis e flavonóides. Recentemente, descobriu-se que os flavonóides são compostos químicos encontrados em certas frutas, vinhos, vegetais, chás, nozes, sementes e raízes, sendo que a maioria atua como antioxidantes, enquanto outros contêm propriedades antiinflamatórias. Além disso, estudos dão conta de que os flavonóides podem atuar como agentes que retardam ou previnem alguns tipos de câncer.

Isso tudo faz parecer que comer chocolate é um ótimo negócio e que não traz riscos à saúde. Mas é preciso bom senso para mantê-lo na dieta e obter bons resultados na balança. Os chocolates contêm muita gordura em sua composição, que pode ser traduzida em altas calorias.

Por isso, é necessário tomar cuidado e buscar os chocolates mais indicados, que vêm nessa ordem: chocolate meio amargo, ao leite e branco. O meio amargo é o que tem menos calorias, seguido pelo ao leite e, por último, o branco, de acordo com a quantidade de gorduras que contêm.

Mas por que esse cuidado ao incluir o chocolate nas dietas? Bem, além dos benefícios nutricionais que agora começam a ser explorados, os chocolates possuem a característica de estimular a sensação de bem-estar e prazer. O chocolate libera no organismo um aminoácido, o triptofano, que estimula a produção de serotonina. A substância, no cérebro, está associada à saciedade e ao prazer. Por isso, quem come uma barra de chocolate tem a sensação de prazer que faz desse alimento um perigo para pessoas ansiosas ou em depressão: para se ter mais desse prazer, come-se mais e pode-se engordar mais.

Isso explicaria por que o bom chocolate tem características viciantes. Embora não haja evidências científicas de que o chocolate seja capaz de causar dependência, após a privação ou o consumo, algumas pessoas parecem ter reações químicas e psicológicas que podem ser comparadas às de um vício. Pessoas com essas reações são comumente chamadas “chocólatras” ou “chocaholic”: têm uma vontade incontrolável de consumir chocolate e visível melhora do bom humor e do bem-estar quando isso ocorre.

Outra opção são os chocolates light, que oferecem menos calorias. Não confunda com os chocolates diet, que devem ser evitados. Os tipos diet são produzidos para pessoas com diabetes e, apesar de não conterem açúcares, em geral, possuem maior quantidade de gordura, que certamente se refletirá em ganho de peso.

Sheila M. Pasquarelli
é gerente do Serviço de Nutrição e Dietética do Hospital Santa Helena, em São Paulo.

 
Pílulas
 

» Para quem está de dieta o ideal é consumir uma porção de chocolate somente uma ou duas vezes por semana e preferir os chocolates em barra em vez dos recheados para evitar os acréscimos de calorias

» O chocolate pode ser benéfico mas é necessário controle. Se não houver, o aumento de peso pode causar várias doenças, como diabetes e hipertensão entre outras

» Alguns autores estimam que 40% das mulheres apresentam o comportamento de “chocólatras” e, desse total, 3/4 não conseguem satisfazer essa necessidade com qualquer outra substância que não seja o próprio chocolate